O poder está intimamente ligado ao desenvolvimento econômico. A PAX romana impôs isto durante alguns séculos e continuamos, através dos tempos, subjugados a tantas outras PACIS.

Em 1502, Maquiavelli aconselhava o príncipe, seu patrão: poderás tomar o poder, tens a força militar para tal, depois tens que mantê-lo. Remetendo ao fatídico golpe de 1964 aqui no Brasil, eles o mantiveram por vinte anos, obviamente sob o conselho maquiavélico com tanque de guerra na rua e calabouço lotado, sem mencionar as perdas de vidas humanas e de pensamentos insubstituíveis. Pena.

Esse novo golpe jurídico midiático de 2016 teve uma escalada ao poder tão rápida e eficaz como aquele outro, porém o poder parece fragmentado.

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Além da disputa entre poderes, a repressão policial militar é seletiva: teve polícia contra polícia no Rio de Janeiro, agora a greve dos agentes penitenciários, e a crise no sistema carcerário parece não ter fim.

Estaríamos retrocedendo no tempo? Sem controle central, seria necessária a maquiavélica intervenção das forças armadas, da mão pesada do Leviatã? Afinal, qual outro caminho para manter se no poder?

Dado o fato, parece-me que estamos vivendo tempos, no Brasil, em que a democracia representativa e suas instituições não têm o peso que deveriam ter. Atuam cada um pelos próprios interesses, trafegando em direção a uma divisão do Estado sob o aspecto político e também econômico.

Em época que, em mais de um município brasileiro, presidiários são diplomados solenemente vereadores, cabe a pergunta: quem esses vereadores representam? O povo, seus partidos partidos políticos ou outras agremiações? Ian Morris argumenta em seu livro "Guerra" que a fragmentação do poder não é coisa produtiva, atrapalha e impede o desenvolvimento.

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Como água que escorre pelo caminho mais fácil, nossa combalida democracia agoniza. Seriam tempos além da democracia representativa em prol do corporativismo e das corporações? Pouco provável é o retorno das capitanias hereditárias ou a instituição de facções tipo FARCs da Colômbia aqui. Anseia-se, enfim, por alternativas. Surgem ideais de democracia direta, de retirada do presidente, pelo fechamento do congresso, pela convocação de novas eleições diretas...

Todavia devemos parar de bater panelas e discutir de fato o que queremos para nosso país. Não precisamos escolher entre opções que nos são impostas pela situação. É o momento de questionar a figura do político profissional e sua efetiva representatividade, de questionar a reeleição e de buscar o aprimoramento no lugar da apatia ou da reinvenção do que já passou. #PAXromana #fragmentaçãodopoder #futurodoBrasil