As sociedades de hoje valorizam muito quem tem capacidade de #Trabalho, quem pode vender sua força de trabalho. O problema surge quando as pessoas vão perdendo suas habilidades e potencialidades e se tornam dependentes do cuidado de outras pessoas. Em decorrência disso, ser #Cuidador se tornou uma profissão, embora ainda pouco valorizada. Seja por falta de outras opções ou de uma especialização, muitos trabalhadores, especialmente as mulheres, se tornam cuidadores de idosos ou de pessoas doentes na prática, sem nenhum tipo de apoio ou de estudo. Existe, porém, uma outra categoria de cuidador que quase ninguém vê. São aquelas pessoas que dedicam boa parte de seu tempo, de suas habilidades pessoais a cuidar dos idosos de sua própria família.

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Cuidando de quem cuidou de nós

Muita gente é capaz de lembrar de alguma amiga, uma irmã, que se responsabilizam por suas mães, avós, tias, madrinhas, irmãs, etc. Essas pessoas não têm sequer uma remuneração para o trabalho social que fazem. Algumas delas têm jornada dupla, e até tripla, de trabalho, pois, além de cuidarem de um #idoso ou idosa, ainda trabalham no mercado formal. Muitos desses cuidadores têm sobre seus ombros a responsabilidade de suprir todas as necessidades do idoso ou da idosa, tendo que fazer, muitas vezes, a higiene pessoal dele ou dela, e muitos outros cuidados que a maioria das pessoas nem sabe que os idosos necessitam.

Quando falta o reconhecimento social

Muitas vezes, a única recompensa que recebem é apenas a satisfação pessoal de se dedicar a esse trabalho que é árduo, e não reconhecido socialmente.

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Num momento em que nossas sociedades estão se tornando cada vez mais compostas por idosos e idosas devido à longevidade e aos tratamentos médicos disponíveis, muitas famílias não têm como suprir as necessidades dos idosos, e relegam essa tarefa a terceiros, como empregadas domésticas sem o necessário treinamento e sem o conhecimento devido. O que fazer, então?

Quem cuidará de nós?

Essa questão já foi alvo até de programas de televisão, nos quais, em geral, o conflito surge porque nenhum dos filhos quer ou pode cuidar de sua mãe. Até mesmo nos países desenvolvidos tem crescido o contingente de idosos que recorrem a asilos e abrigos, muitas vezes inacessíveis à maioria da população. Numa sociade como a brasileira, onde se discute a reforma da Previdência, talvez fosse necessário também rediscutir esse pacto do cuidado com os idosos. Perguntas como a quem cabe cuidar dos idosos? À sociedade ou à família? Seriam os nossos idosos um peso para as famílias? E quando chegar a vez dos adultos de hoje de precisar de cuidados, quem fará isso por eles? Quando chegar a nossa vez, será que teremos quem cuide de nós? Talvez esteja na hora das nossas instituições e governos repensarem os modelos de previdência e olhar mais para os cuidadores de idosos, e dar-lhes o devido valor e reconhecimento.