Novembro de 2016: o mundo chorou a morte dos passageiros do avião CP-2933. Entre os mortos, jogadores do time de futebol profissional da Chapecoense. A tragédia comoveu o Brasil. Luto demais pelos jogadores da Chape?

Janeiro de 2016: o mundo assiste, atônito, aos massacres nos presídios brasileiros e um estranho silêncio quer defender que a morte de bandidos, ainda que sejam criminosas e ainda que sejam cometidas por outros bandidos, não seja tão ruim. Luto nenhum para os mortos nos presídios?

Neste momento, o Brasil vive a dor da perda de um de seus principais ministros do Supremo Tribunal Federal. Teori Zavascki faleceu vítima de acidente aéreo na tarde desta quinta, 19.

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Falso luto pelo senhor Zavascki?

Não me recordo de alguém sugerir ou mesmo especular, quando da morte dos atletas da Chapecoense, quem o clube contrataria para substituir os falecidos. Era tempo de silêncio e respeito pelos seres humanos que tiveram suas vidas findadas no episódio de Rio Negro, na Colômbia.

Há, banzemos, um alívio social por todas as mortes ocorridas nos presídios do Norte e do Nordeste e sugere-se, a todo tempo, soluções práticas para o fim da violência instaurada recentemente na penitenciária de Alcaçuz.

Agora, debatemos sem respeito algum e com base no nosso não saber, quem ordenou o possível atentando com #Teori Zavascki e quem o substituirá na relatoria da operação Lava Jato.

Enquanto os jogadores de futebol tiveram seus óbitos lamentados, os dos presidiários foram celebrados e o do Ministro do STF é analisado sob a ótica do impacto político.

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Se é bem verdade que falamos de pessoas distintas com funções sociais distintas, uma coisa é comum aos três episódios: a vida humana passou a ser valorizada de acordo com o que se faz e se oferece. A vida virou meio e a insensibilidade está generalizada.

Immanuel Kant, um dos maiores filósofos de todos os tempos, fez distinção entre meio e fim. Coisas servem para fins; a vida não deve servir para nada pois ela é um fim em si. Está na hora de percebermos, todos nós, que coisas têm preço e a vida tem valor. Negociar nosso humanismo significa admitir que escolhemos quem vale mais, quem vale menos e quem não vale nada.