Se a maioria de nós vive em países democráticos ou ao menos sob a tradição ocidental de igualdade e empoderamento de indivíduos que nos representam por meio do voto direto, por que nós, constantemente, idealizamos reis e rainhas?

Histórias infantis, filmes de Hollywood, a imprensa - abordam com frequência a temática da #Realeza e da aristocracia, especialmente a Britânica. Sociedade que mantém e na qual perduram até hoje costumes e títulos que nos parecem tão distantes.

Imaginação e realidade

Atualmente, a maior parte das famílias reais e aristocratas tem títulos, terras, mas nenhum poder político de fato. Na verdade, são mantidas pelo povo que paga caros impostos para que a qualidade de vida Real seja mantida.

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Sendo assim, por que a realeza mexe tanto com nosso imaginário? Por que os vemos como seres superiores?

Podemos tentar responder essa pergunta.

A primeira resposta segue a lógica de que somos seres sociais e que, portanto, buscamos categorizar o nosso papel na comunidade. Seja na escola, trabalho, time ou tribo, uma ordem social irá surgir. Apesar da crença intrínseca de que todos os seres humanos são iguais, insistimos em nos ranquear. E almejar ou nos inspirarmos naqueles com status e riquezas é quase uma obsessão natural.

A segunda resposta é mais simplista, mas também segue a lógica da anterior. Sempre buscamos por mentores ou guias. Em uma comunidade aqueles mais velhos ou com mais poder se tornam automaticamente os guias naturais. Sendo assim, buscamos seguir o exemplo deles.

O interessante de tudo isso, das narrativas sobre príncipes e princesas, sobre lordes e duquesas é a dicotomia que surge.

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Nós não só tentamos identificar elementos de nossas vidas nas deles como também sonhamos em nos tornar parte aristocracia. Talvez seja por isso que seriados como Downtown Abbey e #The Crown façam tanto sucesso. Ao mesmo tempo que nos aproximam de uma realidade distante, nos permitem sentir que fazemos parte dela e consequentemente de sonharmos com toda a pompa que cerca a aristocracia britânica.

O que essas narrativas fazem é nos proporcionar imaginar momentaneamente quem poderíamos ser ou nos tornar. Nós nos vemos como o herói da história, a realeza, o aristocrata que passa por crises mas, que no final persevera em seu posto e mantém seu status social sempre com muita nobreza. #Downton Abbey e The Crown são ótimos exemplos dessas histórias que nos fascinam.

Downton Abbey

A família Crawley, protagonistas da série, é formada pelo patriarca, o Conde de Grantham Robert, sua esposa, Cora, sua mãe, Condessa Viúva Violet Crawley, e suas três filhas, Lady Mary, Lady Edith e Lady Sybil. Na Inglaterra do século XX.

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A série se passa em sua maior parte em uma propriedade fictícia, localizada em Yorkshire, chamada Downton Abbey e mostra como a aristocracia britânica tem que se adaptar as mudanças sociais para sobreviver.

Criada por Julian Fellowes a série teve recepção positiva inclusive tornou-se a série de época britânica de maior sucesso, entrou para o Guinness Book de 2011 como o "programa de televisão em língua inglesa mais aclamado pela crítica" do ano. Downtow Abbey recebeu o Emmy na categoria de melhor minissérie e também três Globos de Ouro nas categorias melhor minissérie ou filme para televisão e dois prêmios na categoria melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme para televisão.

The Crown

The Crown, é o mais novo queridinho da Netflix. O drama que já caiu no gosto de muita gente é mais caro já produzido pela empresa de streaming e o primeiro a ser realizado no Reino Unido. O seriado traça a vida da Rainha Elizabeth II do Reino Unido, permitindo ao espectador adentrar a vida privada da monarquia britânica.

A série tem início no casamento da monarca em 1947 até deve chegar até os dias atuais. São esperados um total de 60 episódios, ao longo de seis temporadas. Peter Morgan, que escreveu o filme A Rainha, de 2006, e recentemente a peça de teatro O Público é quem assina o roteiro juntamente com o diretor Stephen Daldry.