Ontem, dia 5 de janeiro, quinta-feira, um jornalista conhecido e uma verdadeira referência de luta pelas causas #LGBT e, principalmente, pelas causas transgênero, tentou tirar a própria vida. Durante toda sua história de militância, enfrentou, também, a discriminação e o ódio traduzido em ofensas. Neto Lucon foi socorrido a tempo e, felizmente, não corre mais risco de morte.

Além de uma existência cercada pela violência, tanto física como psicológica, pessoas LGBT têm maior probabilidade de se suicidar, fato apontado por diversas pesquisas ao redor do mundo. Segundo a Lambda Education, organização responsável por estudos sobre o #Suicídio de jovens gays na Europa, a cada 5 suicídios na Alemanha, 4 são de adolescentes LGBT.

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Soma-se a esse cenário o aumento do suicídio entre jovens no Brasil. Em todo o mundo, essa é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabu em torno do tema faz com que famílias e até mesmo órgãos governamentais não falem abertamente desse assunto e não procurem ajuda para uma prevenção eficaz.

A psiquiatra Alexandrina Meleiro, coordenadora da Comissão de Estudos e Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, aponta, como principais causas para o suicídio entre jovens, questões envolvendo sexualidade, a pressão social exercida sobre homens em relação a papéis masculinos, abusos e maus tratos que resultam em trauma físico e psicológico, uso de drogas e abuso de substâncias, além da grande dificuldade de lidar com frustrações, situação resultante de uma criação superprotetora.

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Solidão, crise financeira, desilusões em relacionamentos amorosos ou familiares são situações para as quais também é preciso atentar, pois podem funcionar como gatilhos.

É preciso, ainda, que estejamos cientes dos sinais, que com frequência são banalizados. Meleiro alerta que cerca de 70% das pessoas que pensam em tirar a própria vida dão algum tipo de sinal, seja por meio de frases como "não vale a pena viver" ou por alterações no comportamento, como se algo já estivesse planejado, levando a uma espécie de calmaria que antecede o ato.