Sim, é verdade. Até onde sei, os arcos do Jânio, em #São Paulo, e o corredor da Avenida 23 de maio até começaram a ser pintados sem autorização "do proprietário", embora ali o conceito de propriedade seja um tanto quanto complicado, porque são públicos – e a intervenção, em vez de depreciá-los, melhorou-os, sem causar nenhum prejuízo.

No entanto, depois houve acordo com o poder público, e, na 23 de maio, especialmente, realizou-se o maior mural contínuo de #grafite do mundo. O grafite é uma arte conhecida e reconhecida e, por sua natureza, não requer galeria. São Paulo tem alguns dos melhores grafiteiros reconhecidos internacionalmente, admirados por gente que vem para cá.

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A cidade, verdade seja dita, não é uma das melhores em termos de visual, e em vez de a administração João Doria capitalizar a arte do grafite e até mesmo aumentar o turismo de lazer na metrópole – e, com isso, arrecadar mais via impostos –, resolve transformar tudo num cinza desbotado.

O corredor da 23 de maio deixou de ser o maior mural contínuo de grafite do mundo, com dezenas de artistas de dezenas de países, o que, em si, já é uma redação para atrair turistas, para ser... Nada. Apenas um corredor cinza em uma cidade que já tem muito cinza, pouca árvore, pouca cor e é bem econômica em termos de belezas naturais.

Investir no grafite seria até uma forma de combater a pichação, porque os pichadores ficariam mais interessados em se profissionalizar do que entrar numa guerra sem fim entre gangues para ver quem escreve seu nome no lugar mais alto, ou no mais difícil, ou mais vezes.

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Ao optar por colocar todo mundo no mesmo balaio, o Cidade Linda de Doria deve naufragar. Até porque a prefeitura não vai poder pintar a cidade toda. Não só não tem caixa para isso, como a pintura de prédios particulares é responsabilidade de seus proprietários, e são esses justamente os principais alvos dos pichadores, que tradicionalmente respeitam lugares grafitados um pouco mais.

Então, o que vamos ter no fim do processo? Uma cidade onde os equipamentos públicos serão cinzas e, possivelmente, atrairão pichadores e os prédios particulares que continuarão pichados como sempre.

Sinceramente, não sei em que isso melhora a "lindeza" da cidade... Só o grafite saiu perdendo, justamente uma arte que os artistas têm orgulho de fazer e, não raro, assinam com nome e sobrenome para que sejam reconhecidos por seus pares.

Resta saber se, quando estiverem no auge da "guerra do spray", os paulistanos se incomodarão tanto com os gastos de tinta cinza de Doria quanto se incomodoram com os da tinta vermelha das ciclovias de Haddad (aliás, a cidade recentemente se tornou recordista mundial em ciclovias, algo elogioso).

Até o azul-turquesa de Melania Trump fez melhor figura. #João Dória