Bruno Júlio, que foi nomeado por Michel Temer para a Secretaria Nacional da Juventude e pediu demissão após a repercussão de entrevista na qual defendeu que deveria haver "uma chacina por semana", tem um histórico que poderia fazer com que ele mesmo estivesse dentro de um presídio, principalmente se fosse uma pessoa pobre: ele foi acusado de agressão, ameaça e assédio por duas mulheres que registraram boletins de ocorrência em delegacias de Belo Horizonte.

Em um dos registros, Vitoria Abreu Alves, ex-mulher de Bruno, relata que, por não aceitar o término do relacionamento, ele a teria agredido com socos, chutes e tapas, além de tê-la ameaçado com uma faca.

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Ao ser questionado por um colunista da revista Época sobre a acusação, Bruno inicialmente disse que não conhecia nenhuma Vitoria, mas ao saber do boletim de ocorrência, admitiu que teve um relacionamento com ela, em que ambos tiveram uma filha, contudo, negou a agressão e disse que jamais foi intimado sobre o caso.

O outro registro, feito por uma funcionária de agência do governo de Minas Gerais, que fora subordinada a Bruno, é de 2015. Segundo a denúncia, a mulher teve de lidar com um assédio constante, que culminou em ameaças de demissão diante de sua resistência. Ela declarou que colocava seu celular à disposição da polícia, por conter troca de mensagens registradas em que Bruno lhe fazia elogios, convites e ameaças.

Além das acusações contra ele, seu pai, Cabo Júlio, deputado estadual, foi condenado, em 2014, a três meses de detenção em regime aberto por ter agredido a ex-mulher em 2009.

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No mesmo ano, houve ainda sua condenação por improbidade administrativa, quando era deputado federal, por envolvimento na máfia das ambulâncias, investigada pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal.

Em nota após exoneração, Bruno Júlio negou que tivesse defendido a matança de presos, mas que acreditava haver uma valorização muito grande da morte dos condenados em detrimento de mortes de pessoas inocentes, sendo necessário se voltar mais para o combate à #Violência.

Mais uma vez, fica evidente o imperativo da hipocrisia e da dissimulação. A defesa de um combate violento do crime só se aplica a quem não tem condições econômicas para se manter fora dos presídios. Assim, o que se quer eliminar não são os criminosos propriamente ditos, mas os criminosos pobres, enquanto os ricos têm o direito inclusive de governar o país. #Crise-de-governo