Essa é a história de trezentos passageiros frustrados que tinham planos de comemorar o Ano-Novo na cidade mais popular do mundo, a multicultural Nova York, mas que terminaram tendo de celebrar a chegada de 2017 dentro de um avião. Uma narrativa cheia de terríveis reviravoltas.

Para começar, o avião teve de abortar o voo programado para a noite de sexta por conta de problemas técnicos. Remarcado às 13h de sábado, os passageiros ainda tiveram de aguentar outro desvio de rota, dessa vez por conta de um problema de saúde. Uma paciente sentiu um súbito mal-estar e os responsáveis pelo voo decidiram que seria melhor descer em Manaus para atendimento médico.

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A partir daí se sucederam alguns outros quadros, menores em importância, mas de igual impacto na conclusão do drama: uma ceia em pleno avião, desembarque sem devolução de malas, dentre outros problemas, que fizeram 2017 começar com o pé esquerdo para esses trezentos brasileiros.

O fato ganhou cobertura no Fantástico e em sites das mais variadas plataformas. E hoje, o Brasil inteiro sabe do sufoco passado por esses bravos passageiros. O ocorrido ainda será repercutido, pelo menos, por mais uma semana. No entanto, surge uma pergunta: é terrível perder o Ano-Novo, ainda mais quando a culpa não é de quem pagou pela passagem, gente que se programou com muita antecedência, mas e as milhões de pessoas que passam por apuros parecidos com esses todos os dias do ano? E não em aviões, mas em ônibus sucateados, onde os horários mostrados em telas eletrônicas, raramente são cumpridos à risca e as condições de viagem exigem mais do que alguma paciência por parte dos tripulantes, mas exigem, em primeiro lugar, resistência?

Ar-condicionados que não funcionam.

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Super lotação. Direção inapropriada. Esses são alguns dos problemas enfrentados por usuários do sistema Move, que funciona desde 2014 em Belo Horizonte, num esforço de cumprir com a promessa de um transporte de maior qualidade, mas falhando miseravelmente em proporcionar conforto para quem mais utiliza: aqueles que se locomovem desde bairros periféricos até o centro da cidade e que lidam com escassos horários e, consequentemente, com ônibus sempre cheios. Sem falar na letargia para enfrentar o trânsito, não cumprindo com a principal meta, que é de maior velocidade nos corredores restritos a esse tipo de transporte.

Em Belo Horizonte, um usuário que se locomove desde a região de Neves até o Centro, na prática, está fazendo o mesmo do sistema anterior. Ele leva cerca de uma hora e pouco para chegar ao destino. E os números não apresentam grande melhora em se tratando de outras regiões periféricas. Para quem ouvia falar em modernização em tempos de Copa do Mundo, hoje está desapontado com o serviço entregue e tem a impressão de que foi enganado pela propaganda política da época.

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No entanto, ao contrário do caso dos trezentos tripulantes indignados com o atraso do voo para Nova York, esses brasileiros não têm meios para expressar sua indignação e, quando os têm, suas vozes não alcançam muitos ouvidos, acabando por morrerem antes mesmo que possam provocar alguma efetiva mudança. Enquanto alguns perdem a oportunidade de comemorar o Ano-Novo na Times Square, outros continuam a se atrasar para os seus empregos ou a passar mal em ônibus super lotados, onde sequer o ar-condicionado oferece algum alívio para a situação. #AtrasoemVoo #AtrasosnoMove