A situação de caos que vem ocorrendo no #Espirito Santo nos últimos dias com a Policia Militar fora das ruas (caso alguém ainda não esteja por dentro, a PM está parada desde o dia 4 de fevereiro, em uma reivindicação por um salário melhor) é lamentável. Nessa situação, o que mais surpreende não é o fato de os bandidos estarem aproveitando para fazer o que quiserem, pois isso seria previsível, e sim o fato de que os supostos “cidadãos de bem” estão fazendo o mesmo.

Que nosso país teve sua origem no oportunismo (de Portugal) todos já sabem. Da corrupção dos políticos também não há dúvidas. Mas, além disso, infelizmente, desenvolvemos uma cultura onde a maioria das pessoas acha que sempre há de se tirar proveito das situações, de todas as situações.

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Temos até o termo “jeitinho brasileiro”, que, para mim, muitas vezes é um sinônimo para esse oportunismo, onde tirar vantagem de tudo é considerado normal. Desde pequenas atitudes como furar filas, baixar programas e músicas ilegalmente na internet, “dormir” nos bancos reservados dos ônibus e deixar alguém mais necessitado em pé, até alguns casos mais sérios, como ficar com um dinheiro que apareceu na sua conta e você sabe que não lhe pertence. Essas são consideradas atitudes normais por aqui. Inclusive, quem não agir dessa maneiras será considerado “o errado”, pois "você deveria ter aproveitado a situação e tirado vantagem dela".

Se tal tivesse ocorrido em algum outro lugar, onde a maioria das pessoas fosse realmente honesta e tivesse uma maior consideração pelas outras pessoas a sua volta, o que teria acontecido? Será que seria necessário chamar as Forças Armadas (o Exército) para controlar tal situação? Não, provavelmente não teria acontecido nada.

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Alguns países, como a Alemanha e Canadá, não têm catracas em algumas de suas estações metrôs e todos pagam as passagens, mesmo sabendo que ninguém irá conferir se elas fizeram isso ou não. Elas o fazem simplesmente porque eles têm a consciência de que é sua obrigação pagar, elas são honestas.

Na Suécia, não há funcionários nos caixas de alguns mercados, é o próprio comprador quem “passa” e paga por suas compras. Eles não tentam tirar proveito disso, eles “passam” e pagam exatamente o que tem que pagar porque são honestos.

Aqui no Brasil o que aconteceria se por uma semana os funcionários do metrô resolvessem parar de fiscalizar as catracas? As pessoas cumpririam seu dever de cidadãos e pagariam? Ou, simplesmente, aproveitariam a situação para tirar vantagem e pulariam a catraca?

Vejam que não estou questionando o preço absurdo das passagens, mas sim a capacidade de a maior parte da população por aqui fazer o que é certo mesmo quando ninguém está olhando.

Para o Brasil se tornar um país melhor não basta cobrar que apenas os políticos sejam honestos, os políticos são reflexos da sociedade.

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Um país com pessoas honestas provavelmente terá políticos honestos.

Como poderemos ter um país melhor se as pessoas parecem não perceber isso? Não percebem que cada um de nós precisa tornar-se melhor para que assim, daqui a alguns muitos anos ainda, isso comece a ter efeito e nosso país melhore... Temos que nos conscientizar de que ter caráter, que ser uma pessoa honesta, é obrigação de todos... Mesmo que isso não esteja nas leis e que não tenha ninguém fiscalizando.

Que sonho seria um Brasil onde pudéssemos ter a certeza de que todas as pessoas fossem honestas e cidadãos de bem, de verdade!

Será que o Espirito Santo estaria nessa situação se as pessoas fossem realmente “de bem”?

Termino esse artigo, que, para mim, foi um desabafo, desejando que a paz volte a reinar no Espirito Santo, e com uma frase que li em uma rede social e me fez pensar em tudo isso:

“A ocasião não faz o ladrão, ela o revela!” #2017 #Crise