Professor, também chamado de mestre educador, é considerada a mais essencial de todas as profissões, e apontada como a classe formadora e sustentadora de toda a estrutura de nossa sociedade, pois sem ele o conhecimento não seria transmitido, tornando-se inacessível às próximas gerações, o que comprometeria a evolução intelectual da humanidade e sua própria existência.

Atualmente, o professor, como figura responsável pelo desenvolvimento e transmissão do conhecimento, perdeu seu status quo como força motriz no processo gerador de mudanças em nossa sociedade.

Apesar da classe dos educadores ter sofrido uma grande expansão, no que tange a seu quantitativo e pelo consequente aumento dos postos de trabalhos em nosso país, de 2003 em diante, a influência da figura do educador como indivíduo formador de opinião e construtor da sociedade foi imensamente diminuída.

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O mestre educador permitiu-se ser permeado pelo senso comum, tornando-o seu guia, e replicando pensamentos do coletivo como seus próprios, esquecendo-se de seu papel crítico em nossa sociedade

E a despolitização avança...

#A despolitização dos professores no Brasil contemporâneo continua sendo o fator determinante do retardamento de progresso e desenvolvimento social. O analfabetismo político é um parasita tirano ideológico que fica facilmente identificado no indivíduo que, como cidadão, não consegue entender a importância de sua participação política.

O(a) professor(a) brasileiro(a), muitas vezes, não entende o que é um movimento social, sendo que em sua incapacidade de fazer uma análise conjuntural baseada em fatos, identificando as distorções e factoides que circulam nos meios de comunicação, com o objetivo torpe de desinformar e subjugar a vontade da maioria, torna-se presa fácil e, sendo ele mesmo uma vítima, acaba por ajudar a introjetar a visão das classes dominantes na massa.

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E o povo, desprovido do senso crítico, sem ensinamento e orientação corretos, torna-se peão nas mãos de quem possui poder, elegendo e reelegendo fachadas políticas de seus algozes ideológicos.

E onde estão nossos mestres educadores? Qual sua importância no processo de mudança nesse quadro social e político apresentado e discutido em questão?

Para infelicidade de toda a nação, a despolitização dos professores e sua confusão sobre a realidade política é tão limitada quanto os cidadãos e, como afirmado acima, boa parte dessa culpa recai sobre os mesmos. O pragmatismo de alguns age como amarras que os prendem às perspectivas bitoladas e distorcidas e, neste momento, apresentam-se em estado de congelamento e confusão frente à onda de desinformação, tornando-se, na maioria das vezes, tão vítima quanto seus alunos.

E os ataques recentes do governo ilegítimo de Temer à educação alertam para a necessária reação urgente de nossos educadores. Nossos mestres educadores devem partir para uma mudança profunda de paradigma e, em primeiro lugar, tomar consciência de si mesmos como uma classe trabalhadora que deve colocar-se na vanguarda das lutas sociais, como visto recentemente, conscientes de sua importância primordial como peça chave para as mudanças necessárias da cultura de toda nossa sociedade.

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O professor, como cidadão consciente, deve assumir postura condizente, ciente de que o ouro do século 21 é a informação legítima. Um mestre transforma o mundo ao seu redor, mudando as pessoas que o cercam, e isso se faz com a participação política e bons exemplos a serem seguidos.

O professor deve aumentar em quantidade e qualidade sua participação nos movimentos sociais e em seu próprio segmento social, buscando entender os mecanismos participativos de classe, começando por uma ativa participação política, influenciando demais estratos da sociedade. Fazendo o que nasceu para fazer, que é transmitir o conhecimento necessário para a formação de uma massa com pensamento crítico desenvolvido e de alto nível intelectual, com poder real de mobilização, deixando de ser apenas vítima e ascendendo a dono de seu próprio destino.