A nomeação de Alexandre de Moraes para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é uma manobra política de #Michel Temer? Tudo indica que sim. Caso seja anunciado, o que deve acontecer ainda nesta quarta-feira (22), #Moraes se tornará não só ministro, mas também assumirá o cargo de revisor nas investigações da Operação #Lava Jato.

Mas qual a função de um revisor em uma investigação desse porte? Ele tem o papel de revisar as ações penais que constarem no relatório em relação aos presidentes da República e do Legislativo, Senado e Câmara Federal. De acordo com o artigo 25 presente no regimento Interno do Supremo, o revisor pode completar, confirmar ou retificar itens do relatório preparado pelo relator da investigação, cargo ocupado pelo ministro Edson Fachin.

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Portanto, Moraes, que é muito próximo ao presidente Michel Temer e ocupou o Ministério da Justiça a seu convite, teria como missão analisar os relatórios de investigação do presidente. Como revisor, ele também pode "pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto". Outro pronto importante é na votação ele será sempre o segundo a se manifestar. O primeiro será o relator Edson Fachin.

Cargo não se estende às outras investigações

Moraes será revisor somente das investigações ligadas aos presidentes da República, Senado e Câmara. A função de revisor do restante dos processos ficará com o ministro Celso de Mello. Isso faz parte de um regulamento interno do STF. Porém, por fazer parte da primeira turma, Moraes participará constantemente das votações em que diversos senadores poderão ser citados.

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Vale lembrar que os mesmos senadores são os responsáveis pela "amigável" sabatina e pela oficialização de Moraes como novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Apoio no Senado

Dos 68 votos computados pelo jornal Folha de São Paulo após a sabatina, Moraes recebeu o apoio de 55 senadores, contra apenas 13 votos contrários. Outro motivo que preocupa em relação à sua nomeação é o fato dele ter sido filiado ao PSDB.

Moraes retirou a sua filiação após Temer indicá-lo para o cargo de ministro do STF. Diversos caciques do partido tucano, como Aécio Neves e José Serra, foram citados em delações premiadas da Operação Lava Jato. Para a oposição, a manobra de Temer é uma forma do governo e de seus aliados envolvidos nas investigações se blindarem futuramente.