Diana Assunção, trabalhadora da USP e militante feminista, foi alvo de ameaças virtuais, após publicar, no último dia 24, um vídeo criticando a ação de funcionários da prefeitura de São Paulo que, por ordem do prefeito João Doria, apagavam os grafites da Avenida 23 de Maio.

O vídeo que obteve mais de 900 mil visualizações, recebeu mais de 11 mil comentários e muitos com conteúdo ofensivo e ameaças de estupro e morte. Dois dias após publicar o vídeo, a ativista decidiu rebater os comentários. “Dados de várias entidades internacionais apontam que o Brasil, não somente é o país mais violento para uma mulher viver, como a cada duas horas uma mulher é assassinada e o número de estupros é enorme”, argumentou.

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Diante dos muitos ataques, Diana decidiu, no último dia 30, se posicionar e abrir um boletim de ocorrência na #delegacia da mulher em São Paulo. Acompanhada de Isa Penna, advogada e militante, ao chegar na delegacia a ativista foi surpreendida com a intimidação do escrivão chefe que ameaçou abrir um processo contra ela e sua advogada.

“Esperamos cerca de duas horas para sermos atendidas. No primeiro momento, não queriam deixar a gente falar com a delegada e o escrivão chefe Alexandre Machado teve uma postura absolutamente agressiva, machista, insultando a nós, enquanto mulheres, e a mim, enquanto profissional... A gente veio aqui para fazer uma denúncia de violência contra a mulher e saímos daqui com o escrivão chefe da delegacia nos ameaçando de entrar com um processo por desacato à autoridade”, denunciou Isa Penna, em vídeo publicado no Facebook de Diana.

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A advogada ainda relatou a situação que a delegacia da mulher de São Paulo está enfrentando. Segundo ela, não há qualquer preparo para atender às mulheres. “Passamos uma situação absolutamente bizarra [sic]. Chegamos aqui na delegacia da mulher e havia uma fila de mulheres totalmente fragilizadas. Um tratamento totalmente impessoal, um despreparo absoluto dos funcionários e uma escassez de serviço”, enfatizou a Isa.

Saiba como denunciar crimes digitais

Ofensas e ameaças digitais são crimes e devem ser denunciados. De acordo com o site Direitos do Brasil, a vítima deve reunir dados da prova do crime, por meio de fotos da tela, com a função print scren. Em seguida, deve ir a um cartório e registrar os arquivos como ata notarial, para depois ir a uma delegacia e registrar um boletim de ocorrência. #violência contra mulher #crime virtual