Tornar-se referência. Ter seu texto reconhecido. Ganhar o prêmio Pulitzer. Esses fatores deveriam apenas servir como motivação para um repórter fazer bem o seu trabalho. Porém, se esse desejo for exacerbado, pode fazer com o jornalista caia em armadilhas da profissão, e não só isso, mas, deturpe esse ofício chamado #Jornalismo.

Jornalismo não é apenas noticiar fatos ou contar histórias. Nós, jornalistas, servimos também como uma espécie de tradutores da informação. Muitos fatos requerem que o jornalista explique-os de forma mais simplificada. É nesse momento que esse profissionala sabe que, querendo ou não, tem o poder na mão, e cabe a ele usá-lo para o bem ou para o mal.

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Lembro-me da primeira vez que assisti ao filme O Preço De Uma Verdade. Devia ter uns 14 anos. Lembro de querer assisti-lo de novo, mas não das impressões que tive ao vê-lo. Mas, como uma boa amante do jornalismo, era também amante de filmes da mesma temática.

Ao assistir ao #Filme novamente, agora já no curso de jornalismo, chego a uma simples conclusão. Todos corremos riscos de cair na armadilha de “enfeitar” as histórias, as notícias. Stephen Glass não só enfeitava histórias, mas as inventava.

No momento em que ele se imagina na sala de aula, dando uma palestra, ressalta que todas as histórias são apuradas, checadas. Mas, enfatiza que há um tipo de história em que a única apuração realizada pelos editores são as anotações do repórter.

Glass se aproveita do sistema e, para galgar sua subida no grande The New Republic, começa a escrever histórias em que fontes, aparentemente, não podem ser checadas.

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Histórias em que as impressões do repórter são o diferencial da matéria.

O grande questionamento aqui é: por que as pessoas não desconfiavam das histórias de Stephen? Já que, para um telespectador atento, ou nem tão atento assim, fica uma pulga atrás da orelha e a pergunta: como uma história dessas pode ter acontecido?

Muitas matérias parecem surreais, inacreditáveis, até. Mas, aí vem outra reflexão, que aparece muito na vida do jornalista: a credibilidade. Mas, no filme, não vemos a credibilidade como a conhecemos. Aquela que é adquirida pela experiência, pelos anos trabalhados.

Stephen não tem exatamente uma “credibilidade”. Ele, na verdade, é muito simpático com as pessoas, parecendo, em alguns momentos, ser um puxa-saco. Sempre sorrindo e se fazendo de vítima, o repórter consegue ganhar a confiança de todos. O que mais me chamou a atenção foi o momento em que Glass é, enfim, demitido e a secretária fala: “se precisasse de fotos, ele nunca teria feito isso”. Ou seja, mesmo todos vendo a verdade do que ele fez, mesmo assim, os seus colegas não querem acreditar, e até culpam a inocência do garoto.

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Para os futuros jornalistas - e me incluo nessa situação - fica o alerta. Ao parar para pensar, todos corremos o risco de cairmos nessas armadilhas. Não que todos estejam propensos a escrever histórias inventadas, passando-se por realidade.

Mas, já parou para pensar que o repórter do The New Republic não começou a fazer isso inventando histórias inteiras? Ele deve ter começado com a inclusão de uma fala que não aconteceu. Exagerando, ou até melhorando os detalhes dos locais onde esteve. Inventando uma fonte. Até chegar ao ponto de inventar notícias inteiras para serem publicadas.

Vale o famoso ditado bíblico, “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. Neste caso, permita-me dizer: vigiais e checais, para não cairdes na tentação de publicar uma notícia fantasiosa. #Resenha