O ano era 1961 e o líder do governo João Goulart avisara, por um meio de comunicação televisiva, que se os EUA invadissem Cuba, o Brasil entraria na briga para defendê-la. O líder brasileiro era Bocaiuva Cunha e falava em inglês na ocasião.

Como resposta a esses tipos de comentários e ao regime do Brasil em voga, um programa dos Estados Unidos, com um apresentador nada excêntrico, afirmava que Cuba já tinha sido perdida (para o comunismo e a URSS), mas se o Brasil fosse perdido, junto dele, iria toda a América do Sul. Era uma alerta aos americanos.

A partir desse momento, começava toda uma estratégia em volta do Brasil para não se tornar a próxima retaguarda comunista da URSS, como acontecera em Cuba.

Publicidade
Publicidade

E para isso acontecer, valeria tudo: enganar a todos por meio da imprensa, manipulada pela CIA, ou implantar uma #Ditadura.

Segundo Peter Kornbluh – coordenador do Arquivo Secreto Nacional dos Estados Unidos –, os arquivos secretos com relação ao Brasil não deixavam dúvidas de que havia financiamentos e intervenções por parte da CIA na impressa brasileira.

O desfecho

As duas figuras principais eram: John Kennedy (EUA) e João Goulart (Brasil), além é, claro, do perspicaz embaixador Abraham Lincoln Gordon, o intermediador de toda estratagema do golpe americano, que chamamos de Golpe Civil-Militar.

Nesse conflito de interesses, o presidente John Kennedy ainda fez um convite a João Goulart para visitar os EUA, com o pretexto de conhecer a base da Força Aérea, em Nebraska.

Todos sabiam – ou a maioria – que o convite tinha por motivo uma aproximação com Goulart, mas este sempre estava com cara fechada e rígida (o local do encontro parecia mais uma intimidação para demonstrar o poderio bélico pela alta tecnologia avançada da aviação norte-americana à época).

Publicidade

Talvez Goulart não tenha visto aquele convite de forma amistosa. O anfitrião, entretanto, já sabia que ali selaria uma mudança, porque o presidente brasileiro não mudaria, mas o Brasil sim.

Porém, Kennedy não pôde dar continuidade ao seu projeto por conta da sua morte precoce. Mas o seu vice-presidente, Lyndon Jonhson, daria continuidade ao seu plano.

Em um de seus discursos, o empossado presidente, Lyndon Jonhson, afirmou categoricamente que as nações americanas não iam deixar o establishment do comunismo em nenhuma outra nação americana ocidental, visto que Cuba, mesmo sendo uma pequena ilha, apresentava ameaça aos americanos por meio dos soviéticos. O medo dos americanos não era do comunismo em si, mas sim da URSS. Era Guerra Fria, e o medo estava instalado, tanto no oriente como no ocidente.

O que aconteceu após toda esta narrativa?

Os Estados Unidos passaram a manipular e financiar os meios de comunicação, afirmando que as reformas de base de Jango eram muito socialistas. Os intelectuais, como mágica, reverteram o populismo de Goulart.

Publicidade

E o presidente que já estava com uma aura obscura no Congresso, perdeu o apoio popular.

Agora a artimanha estava feita: era só executar o plano. Os americanos saíram com uma frota altamente armada para portar em Santos para dar um apoio às Forças Armadas brasileiras. Estava feito!

O golpe aconteceu no dia 1º de abril de 1964. O dia em se tornou uma das maiores mentiras da nossa história: não foram os militares que tomaram o poder, foram os EUA que tomaram para os militares.

Portanto, houve traição das Forças Militares. Mesmo que para aquela época houvesse uma necessidade de extinguir o comunismo do Brasil, os brasileiros assistiram, mais uma vez, bestializados tudo que acontecia em sua volta, como disse Aristides Lobo uma vez. #esquerda