A discussão sobre o #Racismo precisa ser diária, inclusive quando os holofotes estão direcionados para maior festa brasileira: o Carnaval. Durante quatro dias, as cidades param e festejam a cultura, o samba, o amor, os desejos, etc. Seria maravilhoso se pudéssemos festejar e praticar, também, a reflexão, a empatia, o debate racial, e o fim do racismo, não é mesmo?

#Carnaval é sinônimo de alegria, mas não é só de alegria que ele é feito. Carnaval também pode ser sinônimo de (re)união, mas, ao mesmo tempo, de exclusão, de #Preconceito e de violência. Reúnem-se nos blocos, nos desfiles, nos bailes, as pessoas vindas de todas as partes e de todas as classes sociais— e isso é maravilhoso e democrático.

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As fantasias e a criatividade marcam essa grande festa. Slogan: seja quem quiser. É possível ser o super-herói favorito, ser o personagem favorito, ser você, ser o que sua imaginação alcançar.

Concomitantemente, é possível ser preconceituoso sem conseguir, na maioria das vezes, refletir sobre isso— as chamadas manifestações racistas. Aquela velha história: há racistas e os que reproduzem o racismo e as ideologias que o sustentam sem “ser”. Eis as questões: é possível não ser racista, mas ter atitudes racistas? Por que isso acontece? É falta de informação? É falta de empatia? As perguntas não são irônicas. Desejamos apenas entender.

Refletir não dói, é só uma questão de querer. E queremos. O debate racial não é fácil, sobretudo no Brasil, onde muitos não enxergam a necessidade dele ou ainda acreditam que não exista racismo.

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Porém, tudo é uma questão do olhar, e acima de tudo ter empatia. Muitos indivíduos teimam em ser apáticos e ignorantes.

“O teu cabelo não nega mulata”

Negro virou fantasia de Carnaval. Isso acontece há anos, assim como marchinhas machistas e racistas. Há os que perceberam o quão ofensivo e opressor são essas manifestações (e evoluíram), e os que alegam que no Carnaval pode tudo, inclusive ofender, insultar, desrespeitar.

É comum caminharmos pelos blocos, e encontrarmos todas as formas esdrúxulas de representação do negro. Nega Maluca, Blackface, Perucas black power. Tudo isso de forma bem exagerada, afinal na mente desses indivíduos, “pretos gostam de chamar atenção”. O termo imagem pode ser empregado de muitas formas, mas o que queremos enfatizar aqui é o conjunto de opiniões e representações sobre um de determinado grupo social. E sim, essas opiniões são racistas.

Em janeiro deste ano, dois homens brancos, fantasiados de negros, ganharam o concurso Carvalheira Fantasy, em Recife (PE).

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Para compor a fantasia, intitulada “Negão da Piroca”, os homens pintaram o rosto e o corpo com tinta preta e ainda amarraram um pênis preto e gigante na cintura. A foto foi divulgada por um blog da cidade (blog do João Alberto).

É incrível e insuportável perceber que o racismo existe em todas as relações e como a imagem dos negros continua sendo ridicularizada diariamente. Quando o racismo não violenta fisicamente, violenta psicologicamente

"Tire a mão e ponha o corpo todo no corpo da consciência"

Apesar dos pesares, há muita gente consciente por aí, inclusive no Carnaval. No meio da festa, há os que pulam levantando bandeiras sociais; lutando contra o racismo, o machismo e os preconceitos. Há aqueles que são capazes de ver, de reparar, de refletir e de lutar.

Neste ano, alguns blocos de Carnaval levarão às ruas temas como machismo, racismo, homofobia, etc. Na Bahia, o Centro Nelson Mandela Itinerante iniciou um trabalho de atendimento a vítimas de racismo e intolerância religiosa no Carnaval de Salvador. A equipe estará de plantão até terça-feira (28), e atenderá num posto fixo, localizado na sede do Procon, Rua Carlos Gomes. Outra equipe especializada estará nos circuitos da festa, e todo os casos serão encaminhados a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa da Bahia. Iniciativas como essas mostram o quão é importante o debate sobre racismo e sobre qualquer forma de preconceito, pois as vítimas estão por aí e sofrem