O #Assédio sexual às mulheres que se intensifica neste período foi o foco de protestos por parte de muitas feministas. Diversos coletivos mobilizaram campanhas, com distribuição de adesivos com mensagens contra o assédio sexual no #Carnaval.

Até uma grande marca de cerveja, outrora bastante critica pela objetificação da mulher em seus comerciais, aderiu a esse movimento, criando uma campanha contra o assédio, que distribuiu 50 mil apitos para mulheres em blocos de carnaval por todo o país.

A ideia é que as mulheres os utilizassem para chamar a atenção e, assim, coibir eventuais excessos, antes mesmo que pudessem desembocar em alguma consequência indesejada.

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Algumas bexigas com mensagens também foram distribuídas com frases como: “Seu respeito me deu onda” e “O carnaval é redondo, mas respeite o meu quadrado”.

Algumas iniciativas pessoais também caminharam nesse sentido. A atriz Thaís Campos (34 anos), por exemplo, criou um método para afastar o assédio, que consistiu em escrever sobre os seios: “Não é não”. "Não é o fato de estar de maiô que determina que você está aberta a algo mais”, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo.

Na internet já há uma iniciativa de reunir relatos de mulheres que sofreram assédio durante o carnaval. A campanha chama-se “Aconteceu no carnaval” e conta com diversos depoimentos compartilhados, através de um site e também pelas redes sociais como Facebook e Whatsapp.

O objetivo da iniciativa é, a partir da análise dos dados, gerar propostas de políticas públicas de combate à violência de gênero.

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A iniciativa surgiu na cidade de Recife (PE), mas deve espalhar-se pelo país.

Relatos de estupro não são incomuns. Ana Clara (nome fictício), de 33 anos, após conhecer um rapaz durante uma festa, depois do desfile de um bloco, foi com ele até o seu carro, onde ficaram se beijando. Em um dado momento, ele tentou forçar uma penetração, mesmo sob a afirmação dela de não querer transar.

Casos assim, embora frequentes, nem sempre chegam ao conhecimento das autoridades. Muitas mulheres, por medo da exposição, acabam por não se manifestar após esses episódios. Ana Clara, da história acima, ainda está “pensando o que fazer”.

Em outro caso Julia (nome fictício, 29 anos), que usava um vestido amarrado por um laço, viu um homem que vinha em sua direção tentar desfazê-lo. Ao reclamar com policiais próximos ao local, obteve a seguinte resposta: “É carnaval, se não quisesse que isso acontecesse não deveria estar aqui”.

O despreparo das autoridades acaba por ser um fator decisivo para a sensação de desamparo, por parte das mulheres, e de impunidade, para os agressores. O grande papel fundamental dessas companhas é aumentar a conscientização de todos os lados envolvidos e, assim, trazer um pouco mais de civilidade a essa festa tão especial. #2017