O movimento dos #Desigrejados se desenvolveu sob grande influência das novas concepções de igrejas, em especial a concepção denominada de igreja orgânica, que são grupos religiosos que abriram mão de toda a formalidade denominacional, para viver um cristianismo informal com forte ênfase nos relacionamentos, porém, os desigrejados dão um passo além, pois grande parte dos simpatizantes defende que não é necessário nenhum vínculo relacional ou ajuntamento em grupo para ser cristão.

No Brasil, o fenômeno é relativamente novo e vem crescendo de maneira surpreendente ano após ano. No último censo do IBGE. em 2010, os resultados foram alarmantes, pois o número de cristãos que se declarou sem vínculo denominacional saltou de menos de 1 milhão em 2000 para quase 10 milhões em 2010, um crescimento de mais de 780%, sendo a categoria evangélica a que mais cresceu.

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É interessante observar que entre os desigrejados existem aqueles que romperam definitivamente com a congregação formal e outros que ainda se congregam com certa frequência, mas preferem não desenvolver nenhum vínculo denominacional e, por isso, não interagem com a vida da #Igreja local ou submetem-se a liderança eclesiástica. Os #Cristãos fora da igreja defendem um modelo de "cristianismo solo".

Num artigo publicado em 2011 na revista Ultimato, o escritor evangélico Paul Freston chamou atenção para estas estatísticas e fez uma projeção para a realidade dos evangélicos em nosso país no ano de 2040. Segundo o autor, a igreja precisa passar por grandes reformulações para se readequar às novas realidades, principalmente no que tange à formação de líderes com visão empreendedora e contextualizada, se não sofrerá uma debandada sem precedentes.

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Quais os principais argumentos dos desigrejados?

Os principais argumentos apresentados por essa nova classe de cristãos para justificar o rompimento com a congregação formal são por exemplo: o estelionato em nome da fé; a ascensão de líderes manipuladores; o discurso hipócrita e demagogo presente em muitas congregações; a superficialidade das mensagens levadas aos púlpitos; os escândalos cada vez mais frequentes, dentre outras coisas.

Quais os argumentos defendidos pelos pró-igreja?

Os que defendem a congregação regular como condição fundamental para o exercício da vida cristã alegam que todo o contexto bíblico aponta para a necessidade da congregação. Citam exemplos que vem desde a comunidade dos primeiros crentes e repetem-se por toda a história da religião cristã. Para os defensores do cristianismo institucional existem aspectos relacionados à congregação formal e regular que tornam inviável vida cristã solitária, tais como: o exercício dos dons para a edificação mútua no corpo de Cristo; a importância da disciplina eclesiástica para o desenvolvimento da maturidade cristã; a possibilidade do cumprimento da grande comissão de Cristo; o fortalecimento espiritual obtido na comunhão entre os irmãos, entre outros.

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Dentro do contexto apresentado, ambos os lados não abrem mão de seus pontos de vista e passo a passo vão redefinindo a cara do cristão moderno. Tanto os que defendem a necessidade da congregação regular quanto os que a acham desnecessária não parecem dispostos a reconsiderar sua posição. No embate, o que está em jogo vai além do simples ato de congregar ou não, pois se a congregação formal for de fato necessária, os desigrejados estão em rota de colisão com o propósito de Deus. Se por outro lado o integrar a igreja como instituição é totalmente dispensável, existem muitos cristãos sinceros que estão sofrendo em suas congregações e por alienação em relação a tal verdade deixam de desfrutar a liberdade prometida pelo cristianismo solo.