No contexto político brasileiro, a democracia encontra-se abalada e, devido a isso, nunca se falou tanto de forma indireta ou até mesmo direta sobre ética, abordando temas como caixa dois, contas em paraísos fiscais, tráficos de influência, corrupção e toda a sorte de sinonímias, remetendo a uma profunda crise ética no país. Partindo do cotidiano e das crises oriundas dele, repensar, refletir e agir de forma a conduzir a vida em prol das virtudes que nos unem as grandes causas da humanidade, a exemplo da vocação para o bem, deixou de ser a tônica da população #Política, dando asas ao pragmatismo na acepção pejorativa do termo como se o mandato fosse de cada um deles e, por isso, legislam em causa própria.

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Para o cidadão comum, há uma crença de que atuando, no dia a dia, de forma honesta forças divinas irão em busca do virtuoso, recompensá-lo porque age de forma idônea e que, seria, a ética como princípio de uma vida feliz. Engano! Isso não passa de uma crença central que rege os pensamentos de muitos humanos. Por isso, não devemos observar o mundo sob esse prisma uma vez que estaríamos incorrendo em um erro: fazer a leitura unilateral da complexidade humana e dos sistemas que o rege.

Não se pode esquecer de que, para fins de ilustração, a economia perpassa pela filosofia que desemboca na história, sociologia e, claro, na biologia não podendo, assim, tais ciências estarem dissociadas da ética. Tratar o humano pós-moderno implica situá-lo na interdisciplinaridade no qual estamos inseridos enquanto seres e protagonistas sociais.

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Além do mais, é de grande valia frisar que o problema do Brasil não se submete unicamente ao econômico como citam os grandes meios de comunicação ao se falar dos grandes esquemas de corrupção. Segundo Max Weber há uma “gaiola de aço”, devido à supremacia da burocratização que aprisiona toda a sociedade: “Especialistas sem coração: este nada imagina ter alcançado um grau de humanidade nunca antes conseguido”. Tais especialistas em corrupção e desprovidos de coração e ética estão em alta no cenário político nacional. Com efeito, o eleitorado do país, por motivos óbvios, está muito desencantado com a política, dando lugar à falta de engajamento, ao descompromisso individual e à omissão. Com isso, o processo de formação do Estado Moderno, no Ocidente, veio com uma figura central: o político profissional, ou seja, os que vivem da política, fazendo disso um meio rentável de vida.

Além disso, o político que vive da política é aquele que não possui recursos materiais para a sua subsistência para além dos recursos oriundos da própria atividade política e a atuação pública é regida pela conquista de meios necessários para obtenção de uma melhora de vida e de riquezas.

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De acordo com essa lógica, há os que prejudicam a análise racional dos problemas de seu cotidiano enquanto profissional da política uma vez que não está afastado e movidos e funcionando em causa própria numa trama de interesses.

Max Weber pontua que o político que vive para a política representa o tipo ideal no atributo do político vocacionado visto que a independência financeira dele significa uma independência de seus objetivos no decorrer da vida pública. Visto desse ângulo a conduta política está voltada para a busca do prestígio, honra, ideais e de todas as benesses que o poder traz consigo, mas não tomaria como base a busca por recompensas financeiras em decorrência da profissão política uma vez que há recursos materiais suficientes de sua profissão e/ou negócio empresarial. Tudo isso configura um esboço ético político!

Assim, o comprometimento e o engajamento são sinônimos de ética que tem a ver com participação coletiva,democracia, fiscalização e pressão popular diante das espúrias figuras políticas em curso. De resto, faz-se necessária a identificação do povo brasileiro com questões éticas, abrangendo não somente a economia, mas também a filosofia política de um país carente de mobilização pública e de conscientização dos meandros da política. #ética #Opinião