Em 2017, completou-se 22 anos da era PSDB no Palácio dos Bandeirantes, isto sem contar o período em que o PMDB, célula mãe da tucanagem, governou o Estado no período 1983-1994.

Tempo de causar inveja a qualquer partido político sob uma democracia plena e certamente sonho de muitos gestores, que gostariam de longevidade no cargo para iniciar e concluir projetos que julgam de grande importância para o distrito que administram.

A falta de tempo é a grande muleta do mundo político para justificar obras inacabadas ou nem sequer iniciadas. Muitas vezes não passa de papo furado, mas em alguns casos a argumentação é aceitável.

O Metrô de SP foi eleito em 2008 e 2010 como o mais lotado do mundo no horário de pico, e se mantém firme entre os primeiros na lista da CoMet, comitê que reúne os maiores #Metrôs do mundo.

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Fato que não deve ter causado surpresa aos 3,7 milhões de passageiros diariamente massacrados nas composições das locomotivas.

Atendo-se somente ao período do reinado plumoso, a malha ferroviária expandiu 37,2 km totalizando pouco mais de 80 km, muito abaixo de outras grandes metrópoles como Seul, que conta atualmente com 975,4 km, Tokyo, 330 Km, e até da vizinha Cidade do México com 225 km de trilhos.

Considerando que 22 anos no executivo torna a muleta da falta de tempo no mínimo descabida, o que justificaria os parcos investimentos, tendo em vista as necessidades da cidade, na expansão das vias do Metrô?

A total impossibilidade de se prever tamanho contingente de usuários transitando pela cidade na luta por seus sonhos? Torçamos para que tal assombro não tenha acometido os nossos dirigentes da máquina pública, porque, se for um fato, revela um desconhecimento histórico constrangedor e um flagrante despreparo.

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São Paulo é formada por migrantes e imigrantes e concentra significante porcentagem da base industrial do país (ora, o apelido “coração do Brasil” seria fruto de quê?), portanto, também concentra a maior oferta de empregos. Naturalmente, tais fatores contribuíram e contribuem para o constante êxodo de brasileiros espalhados pelo gigantesco território nacional na busca por melhores oportunidades. Um reflexo disso é a expansão habitacional incontrolável e descerebrada que coloca em risco cidadãos assentados em áreas de risco.

Exige-se, estando a par deste contexto, faculdades divinatórias para se antever o colapso do transporte de trilhos sem o investimento adequado? Talvez os gestores das outras metrópoles citadas possam responder a essa questão.

Um argumento usado pelo ninho tucano para rebater as críticas sobre o descaso com o Metrô é a falta de recursos, alegando que as cidades usadas como exemplo contam com subsídio do governo federal.

A resposta, parece, visa diminuir a responsabilidade pelos não feitos e alfinetar os partidos adversários que ocuparam e ocupam o Planalto durante o longo reinado, sabendo que poucos duvidariam de uma certa má vontade, considerando a qualidade de nossos políticos, em colaborar com a gestão Tucana por visar ganhos eleitorais.

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Porém, o sucesso nas urnas volta novamente a jogar contra a administração. Supondo que realmente houve nenhuma disposição da esfera federal, nos últimos anos, a fornecer qualquer tipo de ajuda, por pura politicagem, o que impediria um acentuado crescimento da malha ferroviária nos anos FHC na presidência?

É tarefa das mais complicadas convencer o chefe do executivo da importância de garantir o bom funcionamento de serviços essenciais no Estado mais rico e de maior influência #Política e econômica do país?

A conclusão parece convergir para um caminho só, infelizmente, pois são anos valiosos desperdiçados. São Paulo é governada por uma gestão incompetente, despreparada e improdutiva e que permanece no poder mais pelo medo dos paulistanos de deteriorar um panorama já desolador, ao se optar por uma mudança, do que pelos méritos de quem os governa.

Enquanto o quadro perdura, a população, como sempre, sofre. #PSDB