O sonho de morar no exterior é um caso antigo na cabeça dos brasileiros. Os motivos são os mais variados, uma promessa de uma vida melhor, a busca por novas experiências e culturas, ou até mesmo, o que de fato acontece, valorizar o 'passe' aqui mesmo no Brasil. Na série de artigos, apresento um relato das minhas conversas com 5 brasileiros que compartilharam suas mais diversas vivências sobre suas perspectivas durante sua estada fora do Brasil.

Morar no Exterior: aprendendo a viver em Paris

Carolina Teixeira, 35 anos, advogada e Gerente de Recursos Humanos.

"Cresci com a consciência de que conhecer a cultura do outro gera compreensão, aprendizado e respeito.

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Portanto, #Morar no exterior sempre fez parte dos meus planos, fosse para estudar, trabalhar ou qualquer outro objetivo. Eu já havia tido experiências internacionais e a minha ida para a França foi uma movimentação profissional, através de uma transferência pela empresa para a qual trabalhava. Não escolhi o país, nem o momento, aceitei a oportunidade e o desafio!"

E assim, Carolina iniciou sua jornada de 3 anos, na França, mais especificamente, na apaixonante #Paris. "Por ter sido uma movimentação profissional, o planejamento foi bem mais fácil e me deu muito mais segurança, já que tive todo o apoio por parte da empresa", mas também reforça que apesar da segurança, é importante manter uma visão prática e analítica do processo: "Nós tendemos a ficar muito animados e ansiosos pela mudança e acabamos tendo uma visão muito romântica do que é morar fora, afinal são muitas novidades e descobertas que teremos pela frente, não é mesmo? Porque com toda a euforia vemos somente o lado legal da mudança e esquecemos da parte prática que nos dá toda a estrutura para termos uma experiência única".

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A princípio, Carolina, descreve a ansiedade de qualquer viajante que se engaja em uma nova empreitada, o encantamento, mas a realidade de "eu vivo aqui", só apareceu mesmo depois de aproximadamente 2 meses: "houve um problema com a calefação do apartamento e precisei resolver sozinha. Não entendia como as coisas funcionavam, não sabia quem chamar e não falava o idioma", no fim o problema foi resolvido, mas o alerta que de agora precisava enfrentar pequenas questões do cotidiano e que não seria tão fácil, como quando contamos com uma rede de suporte, finalmente ficou clara.

Hoje, mesmo as experiências mais desastrosas, se tornam engraçadas e são recordadas com carinho: "uma vez, ofereci o meu lugar no metro para uma senhora e ela me deu uma bronca enorme e gritou comigo dizendo que não era inválida porque era velha. Não satisfeita, ainda me deu umas bengaladas para eu aprender a respeitar os mais velhos."

No balanço geral, o saldo foi positivo, Carolina, sempre foi e ainda é uma cidadã do mundo, hoje reside no Brasil, mas sonha em voltar a explorar suas vivências 'do lado de fora', que em suas próprias palavras ela hoje consegue resumir com a segurança de quem ampliou seus horizontes:

"As coisas simples do dia a dia não acontecem com tanta facilidade e tão naturalmente como estamos acostumados e passamos a ter que nos reprogramar.

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Tudo passa a ser mais complicado quando estamos dentro de um novo estilo de vida. A transformação pessoal é a maior de todas. Precisamos mudar nosso mindset, estarmos de cabeça e coração abertos para aprendermos, mudarmos e vencermos nossos paradigmas. Perdemos e ficamos longe de todas as nossas referências, não temos mais amigos e familiares por perto, não passamos pelos mesmos lugares, não temos os mesmos hábitos. É uma oportunidade ímpar para nos autoconhecermos e aprendermos a ouvir, entender, compreender e respeitar. Nós somos os estranhos na cultura de um outro lugar, no contexto diário de outras pessoas. Não podemos esperar que se adaptem a nós e sejam compreensivas o tempo todo com aquele gringo que resolveu estar lá. É mais difícil do que pensamos e mais simples do que esperamos. Sempre haverá vantagens e desvantagens, cabendo a cada um saber o quanto lhe afetará." #morarfora