Morar no exterior: Thiago Lobo, 31 anos, professor

Nem todo mundo planejou ou sonhou a vida inteira com a possibilidade de morar no exterior, para alguns foi uma questão de aproveitar uma boa oportunidade que surge e se aventurar, como é o caso de Thiago: "surgiu a oportunidade de intercâmbio pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e não pensei duas vezes. Primeiramente, surgiu a possibilidade ficar por dois anos, mas a oportunidade fora cancelada. Quando surgiu a oportunidade de seis meses, agarrei. Estudar fora aumenta, e muito, o currículo e, principalmente, a mentalidade do estudante. Responsabilidades, maturidade..."

Com isso em mente, ele partiu para Braga, #portugal, e com um planejamento de viagem bem rápido, na entrevista, Thiago confessou que só na primeira noite, já naquela que seria sua nova moradia por 6 meses, é que a ficha realmente caiu.

Publicidade
Publicidade

Mas o maior choque cultural, de acordo com suas lembranças foi no primeiro dia aula: "ouvir o professor explicar o conteúdo com o sotaque português me deu vontade de jogar tudo para o alto e voltar chorando pra casa (risos). O ouvido, depois de uma semana, acostumou. Ainda bem!"

Morar no exterior: o inesperado e curiosidades

Um dos fatores que transformam a experiência, são os relacionamentos, novas conexões e vínculos são travados, podendo dificultar, ou até mesmo tornar a vivência, mais leve e feliz, para Thiago, a surpresa veio na forma de um novo relacionamento: "o surgimento de um namoro foi completamente inesperado. Estava disposto apenas a estudar, mas isso acabou virando minha vida lá de ponta a cabeça – para melhor, felizmente -, pois tive a oportunidade de ser apresentado a lugares, culturas, modos de vida que somente um português poderia proporcionar".

Publicidade

Porém, nem mesmo um novo amor foi capaz de trazer a sensação que buscamos quando iniciamos uma nova vida, em novo lugar, neste caso, a sensação de sentir realmente em casa, nunca chegou, por mais rica a vivência e por melhor que fosse o acolhimento, "a sensação, por dentro, era de que ali não era a minha casa, que eu estaria ali só de passagem mesmo".

Na contramão da saudade de casa, ficaram as lembranças de situações, no mínimo, inusitadas: "a variação linguística entre o português de Portugal e o português do Brasil também me deixou em maus bocados algumas vezes. O que chamamos aqui de presunto, lá eles chamam de fiambre. E o presunto lá é a carne de porco semi-crua. Resumo da ópera, comi um sanduíche com carne semi-crua. Há também, em Portugal, no parque nacional do Gerês, ao norte, uma parte com piscinas naturais de água quente. É simplesmente incrível a sensação de estar num ambiente muito frio, mas relaxando em águas naturalmente quentes da natureza. Sem contar a beleza do lugar.

Publicidade

Incomparável. Achei o máximo também, nos cinemas de Portugal, haver uma pausa no meio do filme para as pessoas irem ao banheiro, beber água ou comprar alguma coisa! O Brasil deveria copiar essa ideia!!!".

Morar no exterior: balanço final

"Se tivesse que escolher apenas um adjetivo, escolheria “única”. É uma experiência que cada um vive de uma forma diferente, ainda que as mudanças sejam parecidas, como a maturidade, a responsabilidade etc. O mais incrível de toda a experiência é estar aberto ao novo. Você querendo ou não, ele está ali na sua frente e você deve encará-lo. Positiva ou negativamente, fica a cargo do estudante como fazê-lo. Posso afirmar que existe um Thiago antes e depois do intercâmbio (...) São formas de se viver muito peculiares mesmo. Somente com a mente aberta é possível compreendê-las e aceitá-las, nos tornando, assim, pessoas melhores para com o outro. Esse outro, o cidadão do mundo, felizmente, é bem receptivo em sua grande maioria. Em todos os lugares que passei ou na cidade onde morei, sempre fui bem acolhido e tratado de maneira hospitaleira. O cidadão do mundo está aberto a conhecer novas pessoas também". #Morar no exterior