A vendedora Jennifer Célia Henrique, de 37 anos, foi assassinada, no início de março, em Florianópolis. Seu corpo foi encontrado no dia 10, sexta-feira, em um terreno próximo a Angeloni dos Ingleses, apresentando diversas lesões na cabeça. Segundo seus amigos, ela teria sido morta a pauladas.

Apesar de, no passado, Jennifer ter registrado dois boletins de ocorrência por agressões de motivação transfóbica, o delegado Ênio Mattos, da delegacia de Homicídios de Florianópolis, insiste em negar que a #Transfobia tenha sido a causa do assassinato da moça transexual. Além de negar o ódio como motivador do crime, Mattos afirma que uma "transa mal acertada" foi o real motor do ocorrido.

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Desrespeitando a identidade de gênero de Jenni, como era conhecida por familiares e amigos, o delegado diz que ela "é um homem", dizendo que seu nome social era apenas um "nome de guerra".

Ênio Mattos, então, não apenas nega a transfobia, como também a comete ele mesmo, considerando o programa (implícito na expressão "transa mal acertada") a causa óbvia do crime, como se, por ser transgênera, Jennifer automaticamente se prostituísse. Sua justificativa é a de que o corpo estava em um local ermo e escuro, pois ele acredita que não teriam levado a mulher a um canto deserto caso o plano fosse matá-la por transfobia. Essa conclusão não é apenas precipitada, mas carregada de preconceitos e de uma falácia: o simples fato de se cometer um assassinato, qualquer que seja a motivação, é o suficiente para se levar a vítima a um local escuro, obviamente, para se evitar que haja testemunhas.

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Segundo o noticiário Hora de Santa Catarina, o primeiro boletim de ocorrência registrado por Jennifer foi em 2013, na 8ª DP, comunicando que havia sido xingada e agredida enquanto passava em frente a um hotel na região dos Ingleses. O segundo BO foi feito em 2016 na Delegacia da Mulher, por injúria. A vendedora comunicou ter sido agredida por um indivíduo que morava próximo à sua residência e que sempre a xingava e expulsava dos lugares que ambos costumavam frequentar.

De acordo com a advogada Margareth Hernandes, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB de Santa Catarina, Jenni a havia procurado cerca de dois meses atrás, pedindo ajuda por estar sendo vítima de transfobia e ameaças de agressão. Posteriormente, a advogada soube ainda, por meio de uma colega em comum, que a vendedora recentemente contou ter sido abusada e agredida.

A indignação com um crime brutal se intensifica na medida em que a própria Justiça comete atos de #Violência contra a mulher transexual, ignorando sua identidade feminina. No último sábado, 11 de março, um grupo de aproximadamente 70 pessoas se reuniu para protestar contra o assassinato de transgêneros, após o sepultamento de Jennifer. Os manifestantes pediram por maior segurança e criticaram as declarações do delegado. Por ser muito querida por todos que a conheciam, ninguém conseguiu até o momento apontar suspeitos para o crime. #Transgênero