Este festejo popular denominado #Carnaval é muito antigo e com origem europeia. O #Brasil ganha destaque nesta época do ano (mês de fevereiro), sendo considerado o país com a maior festa do mundo. São Paulo também ganha destaque com grandes desfiles no sambódromo, Rio de Janeiro entra com as escolas de samba na Sapucaí, já em Salvador os trios elétricos lotam as ruas da cidade e em Olinda os bonecos gigantes fazem a alegria do povo.

É interessante que a única mudança que vemos ano após ano é o esplendor que está cada vez mais bonito e mais gigantesco.

Vivemos uma crise financeira sem igual, salários baixos, e boa parte da população desempregada. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego está em 5,8% e isso representa cerca de 3,4 milhões de pessoas.

Mesmo assim, os carnavalescos e o governo se empenham em investir fortunas para que durante todo o feriado o Sambódromo esteja banhado no luxo, brilho, glamour e beleza, isso tudo para que os carros alegóricos cheios de tecnologias e as famosas quase sem roupas desfilem na passarela e chamem atenção do público.

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Admito que a folia tem um lado positivo, como empregos temporários e reforço ao uso de preservativos, por exemplo.

A repercussão de tudo isso não podia ser apenas nacional, afinal a ideia é chamar a atenção para o lado positivo da festança; o que não era de se imaginar é o fato dos inúmeros acidentes que ocorreram durante os dias de folia.

O jornal inglês The Telegraph, revista TIME, Rede BBC, jornal "The Sun", entre outras mídias, deram destaque especial para o Carnaval brasileiro, e não foi voltado para a beleza da festa, mas sim para o acidente na Sapucaí, envolvendo o último carro alegórico da Paraíso do Tuiuti, durante a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, um acidente que deixou 20 pessoas feridas. Já a imprensa nacional quase não tocou no assunto.

São Paulo fez bonito na avenida, vendendo petiscos, bebidas e ingressos caríssimos, sem contar o investimento relacionado ao camarote Bar Brahma, que contou com a presença ilustre de inúmeras personalidades cheias de fama, tudo isso para dar status e postar fotos no Facebook e Instagram.

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Concordo que aos olhos do público em geral, tudo isso parece realmente fantástico, fantasias lindas, música razoavelmente boa, comida, bebida e muito samba. Tudo muito bonito, uma festa digna de um rei.

Agora, e os foliões e blocos de rua? Este outro lado é pouco comentado. A folia não conta com muita segurança, já em compensação rola muita droga, bebidas alcoólicas à vontade e com preço nas alturas, e o mais chocante são pessoas praticando atos obscenos em plena luz do dia e sem nenhuma fiscalização ou punição.

Como se não fosse muito, o dia seguinte amanhece com as ruas repletas de lixo, muitas garrafas quebradas, latas e embalagens pelo chão, preservativos, confetes e excremento de todas as características.

Toda esta zona tem como finalidade se divertir, sem nenhum escrúpulo ou cuidado; as camisinhas estão espalhadas pelas ruas, todavia ainda é raro o uso dela, pois geralmente o item é retratado como um balão de ar ou saquinho para vômito; sendo assim, surgem as doenças sexualmente transmissíveis, ou seja, mais gastos para colocar na conta do governo.

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O mais legal de toda a folia é ver que os espectadores não se importam com a bagunça e sim com a festa no geral; ninguém quer chegar em casa e ler um artigo negativo ou uma matéria que envolva a realidade brasileira; querem ver o esplendor e lado positivo do Carnaval.

Em relação às bombas atiradas pelos policiais no centro de SP para dispersar os foliões, isso é fichinha em relação ao que acontece por trás das câmeras e fica em sigilo. O Brasil é um país sedento por atenção e por isso não mostra o que é na verdade com seus assaltos, crises, assassinatos, tudo abafado por uma festa que não deveria ocorrer com tanta relevância como é dada pela população. #2017