Todos os anos a Igreja Católica lança no Brasil a Campanha da Fraternidade com objetivo de debate temas pertinente à vida social, cultural, religiosa, política e econômica do país. Este ano a #Campanha da Fraternidade traz como tema “Fraternidade: #biomas brasileiros e defesa da vida” e como lema “Cultivar e guardar a criação”.

A Campanha da Fraternidade começa sempre na Quarta-feira de Cinzas e dura o ano todo. Com uma vasta programação, onde são desenvolvidas diversas atividades pastorais, acadêmicas e intelectuais, a Campanha da Fraternidade é uma forma moderna que a Igreja Católica encontrou para dialogar com a sociedade brasileira.

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O tema deste ano é fundamento no discurso ecológico da Igreja e prioriza o cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, e enfatiza as relações fraternas com a vida e a cultura dos povos. Segundo o papa Francisco, “este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”.

Mas o que é um bioma? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), bioma é o "conjunto de vida (vegetal e animal) definida pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, resultando em uma diversidade biológica própria". Em outras palavras, ele pode ser definido como uma grande área de vida formada por um complexo de ecossistemas com características homogêneas.

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Seis são os biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal. Sob todos os pontos de vista, a Amazônia é a maior reserva de biodiversidade do mundo e o maior bioma do Brasil, ocupando a maior parte do território nacional, com diversas plantas e animais ainda desconhecidos pela ciência.

Como há décadas os conflitos pelo território do bioma amazônico têm gerado mortes, a Campanha da Fraternidade parece privilegiar esse bioma. Os conflitos e a violência contra os trabalhadores do campo se concentram de forma expressiva na Amazônia, para onde avança o capital tanto nacional como internacional.

A expropriação privada de grandes áreas de terra continua sendo a principal causa do desmatamento na Amazônia. A pecuária é a principal atividade implantada nas áreas recentemente desmatadas.

Portanto, somente pela luta de caboclos, indígenas, de ribeirinhos, de quilombolas, de estudantes, que o “cultivar e guardar a criação” faz sentido e será posto em prática. E é graças a essas populações que ainda grande parte da floresta amazônica se mantem em pé.

Enfim, a mensagem da Campanha da Fraternidade parece clara: a vida nasce e cresce no respeito ao meio ambiente, no enraizamento na sabedoria tradicional e na piedade popular, que durante séculos mantém viva a fé e a espiritualidade do povo da floresta. #amazonia