Mais uma vez o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense é alvo de investigações do Ministério Público do Rio Grande do Sul pela suposta prática de injúria racial de um torcedor, ocorrida no último Grenal, no sábado (4).

No vídeo, gravado por torcedores colorados e também disseminado nas redes sociais por torcedores do Internacional, um gremista aparece discutindo com os torcedores rivais. Os colorados até colocaram legenda no vídeo de uma suposta leitura labial e afirmando que a palavra usada seria "macaco", embora as imagens demonstrem claramente que não foi o pronunciado pelo torcedor. Visivelmente a sílaba "co", que finalizaria a palavra, é impossível de ser observada.

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Veja:

O Ministério Público do Rio Grande do Sul, porém, afirmou que irá investigar o vídeo e o suposto crime de injúria racial. Cabe destacar que, além da própria palavra não estar evidenciada, não fica sequer claro, em momento algum do vídeo, se os supostos dizeres foram direcionados a algum torcedor específico.

Estranhamente, os episódios envolvendo a torcida do #Internacional e até mesmo funcionários do clube não recebem o mesmo empenho da promotoria gaúcha. No mês de fevereiro deste ano, um torcedor do Internacional do Senegal, Khalifa Kebe, de 30 anos, foi impedido de adentrar no Beira-Rio pelos seguranças do clube, que o hostilizaram e amaçaram, conforme boletim de ocorrência registrado pelo próprio senegalês. Tal prática molda-se nos artigos da Lei nº 7.716/89, que define os crimes de #Racismo.

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Até agora, nenhuma medida foi tomada. Assista ao vídeo:

Cabe destacar ainda que, no ano de 2015, um torcedor do Inter supostamente também teria chamado um jogador, Fabrício, de "macaco". Em que pese a incerteza das imagens, um da imprensa local afirma que estava no estádio e ouviu o xingamento. O Inter foi absolvido na época.

Ouça o áudio do jornalista afirmando ter ouvido os insultos dos torcedores colorados:

Ainda em 2015, uma funcionária do Internacional, que trabalha na orientação do público, afirmou ter sofrido injúrias raciais dentro do Beira-Rio. Em um boletim de ocorrência, a moça, que não teve seu nome revelado, contou que o torcedor lhe disse que era uma "negrinha", que não deveria estar ali e que não poderia respirar o mesmo ar que o torcedor, por estar em um "patamar longe do seu". Na época, o torcedor aceitou um acordo penal e o caso ficou por aí mesmo.

Por fim, vale lembrar que um dos mascotes do Inter, criado para homenagear um ex-jogador apelidado de Escurinho, é justamente um macaco.

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A própria torcida do Inter se utiliza gorilas como símbolos e faixas espalhadas pelo estádio com dizeres "Bem-vindos ao planeta dos macacos" e "M.A.C.A.C.O". Fatos que jamais foram investigados.

A torcida do #Grêmio se revoltou, pois novamente foi generalizada como "racista", principalmente por colorados:

Mas parece que no Rio Grande do Sul, ao menos no futebol, é assim:um peso, duas medidas.