O vídeo do Porta dos Fundos, publicado nesta segunda-feira (13), é claramente uma crítica às contradições da concepção #Política conservadora atual – esta se encontra representada, no Brasil, pelos seus maiores ícones tais como o deputado federal Bolsonaro e o escritor Olavo de Carvalho. O vídeo se chama “Esquerda Túnica”, e já conta com milhares de visualizações, ele remonta falas bíblicas de Jesus Cristo.

A crítica tenta levantar as principais contradições entre a concepção política e a #Religião cristã. A estratégia foi fazer um diálogo entre Jesus Cristo, a partir de trechos retirados da bíblia, e o povo, fundamentado a partir da concepção política atual do conservadorismo cristão brasileiro.

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No vídeo, Jesus, interpretado por Fabio Porchat, cita trechos como: “é mais fácil um camelo entrar no buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, “aquele que quer me seguir doe tudo aos pobres”, “o dinheiro corrompe a alma do ser humano”. Em resposta, o povo grita palavras de ordem tais como: “maconheiro!”, “comunista!”, “vai pra Cuba!”, “em Cuba não tem dinheiro”.

O vídeo foi bastante simbólico em retratar o cenário político atual do Brasil. Nunca o discurso político esteve tão entrelaçado com o discurso religioso moralista. Não só hoje, mas na história do cristianismo, a polarização política não permite um profícuo debate sobre questões econômicas.

A pensadora polonesa Rosa Luxemburgo (1871-1919) percebeu isso em seu tempo, ela relatou sua percepção sobre tal assunto no livro: “O socialismo e as Igrejas: o comunismo dos primeiros cristãos”.

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Nele ela acusa os padres da igreja católica de omitirem a verdadeira história do cristianismo para o povo ignorante, a fim de fomentar a manutenção das opressões sociais por parte dos líderes do governo. Colocando, assim, o povo cristão contra as políticas de obtenção de direitos sociais.

Não é difícil perceber que a polarização política causa um esvaziamento de sentido – que afeta até mesmo a fé das pessoas. A pregação do pastor não está isenta de uma posição política. Ela nunca, na história do mundo, esteve. É preciso reconhecer que política e religião sempre andaram de mãos dadas; e que a questão política mais importante sempre foi a econômica, não o moralista. Hoje não é diferente. A ideia de um Jesus “esquerda-túnica” talvez desperte a população para esse debate.

Veja o vídeo: