Já mostrando dissidência quanto às propostas de reforma da Previdência, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) garante que a proposta tem uma forma bastante exagerada e que a idade de 69 anos destoa da realidade nordestina brasileira. O senador também tem se afirmado contrariado quanto à influência de Eduardo Cunha no Planalto, dando a entender que o ex-deputado cassado está mandando mais do que o próprio presidente #Michel Temer.

Durante um jantar com o Temer, Calheiros foi designado para diminuir as exaltações no PMDB, de modo a evitar que mais deputados assinem a proposta de Carlos Marun (PMDB-MS), uma carta que requer o afastamento de denunciados da cúpula do partido - entre os afetados estariam Geddel Vieira Lima e Romero Jucá, sendo o último, líder do PMDB no senado.

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Marun foi acusado pelo senador de só propor tal documento após ter visitado Cunha na prisão, cujo ato o deputado não negou, mas descarta que tenha influência de Cunha - ainda que tenha sido um dos seus apoiadores no processo de cassação. Segundo ele, o documento apenas uma função de distanciamento da imagem do partido da Operação Lava Jato, mirando as eleições em 2018.

Na realidade, Temer está atendendo Cunha ao cooperar na colocação de seus aliados dentro do plano político. As circunstâncias são cercadas de opiniões dúbias, mas é possível enxergar quase que uma troca de favores em virtude do silêncio de Cunha, que, aos olhos do atual governo, nada mais seria do que uma bomba relógio que, se ativada, alastraria o caos no cenário político.

Um dos pivôs das incertezas é Gustavo Rocha, atual subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, que foi no passado assessor jurídico de Cunha.

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Em 2015, quando sabatinado pelo Senado para uma vaga no Conselho Nacional do Ministério Público, o advogado afirmou que atuava para o presidente, mas em ações privadas apenas, garantindo que agiria com imparcialidade no exercício de sua função.

Renan Calheiros afirmou a jornalistas que Eduardo Cunha e seus aliados estão fazendo o possível para dominar o governo de Michel Temer. Segundo o líder do PMDB, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, deveria voltar o mais breve possível para suas funções, sob o risco de ter como substituto Gustavo Rocha.

Calheiros acrescenta que a nomeação de Osmar Serraglio para o Ministério da #Justiça também faz parte do plano de Cunha para usurpar o poder. O novo ministro também torceu pela permanência do deputado cassado e chegou a afirmar o fim da República quando se fez viva a cassação.

No fim, Renan garantiu que Michel Temer estava sendo protegido da chantagem de Cunha graças ao juiz federal Sérgio Moro, que negou grande parte das questões apresentadas pela defesa do ex-deputado preso dirigidas a Michel Temer, alegando não serem apropriadas.

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Analisando o panorama, ainda que em sua superfície, se enxerga um Renan Calheiros assustado e nada paranoico, temendo o retorno iminente de Eduardo Cunha; ou seria apenas uma explicável suposta conspiração por parte do senador? Temer, contudo, não vacila, garantindo-lhe a volta de Padilha segunda-feira (13), aliviando ao menos uma de suas preocupações. #SérgioMoro