A prática de tráfico internacional de drogas por mulheres esta aparecendo com mais frequência nos noticiários de televisão e em tramas de novelas - como a história de Julia na novela Rock Story, da Rede Globo. O estado de São Paulo é um dos que mais prendem estrangeiras, sobretudo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado na região metropolitana da capital.

O Brasil é um dos principais corredores de droga do mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Em um relatório divulgado no ano de 2013 (Unodc), o país foi considerado protagonista das rotas do narcotráfico entre os anos de 2001 e 2012.

A incidência de #tráfico de drogas dentro das fronteiras brasileiras é tão significativa que dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen Mulheres) referentes a dezembro de 2014, apontam que 64% dos crimes cometidos por mulheres dentro do sistema penitenciário, estão relacionados ao tráfico de entorpecentes.

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As estrangeiras, que em sua maioria vêm de países provenientes dos continentes Americano e Africano, 53% e 27%, respectivamente,(veja o caso da brasileira presa nas Filipinas), de acordo com o Infopen Mulheres, são detidas no embarque ou desembarque do Aeroporto de Guarulhos. Em São Paulo, um levantamento feito pelo Ministério da Justiça em junho de 2012 evidenciou que aproximadamente 589 mulheres estrangeiras viviam custodiadas nos presídios do Estado.

Dentre os países mais presentes, destacavam-se Paraguai, Moçambique, Colômbia, Peru, Bolívia, África do Sul, Nigéria, Cabo Verde e Angola. A Penitenciária Feminina da Capital (PFC) é quase sempre o destino dessas mulheres, que, em geral, permanecem no Brasil até que suas penas sejam devidamente cumpridas.

Mulas do tráfico

A denominação mula é bastante agressiva e denota as estrangeiras traficantes de drogas como animais de carga.

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A expressão é utilizada, principalmente, para identificar mulheres que atravessam fronteiras portando entorpecentes. Elas são a base de uma pirâmide gigantesca que abastece o tráfico, e às vezes, são colocadas como cortina de fumaça em aeroportos para que quantidades maiores sejam transportadas sem chamar atenção.

Normalmente, as mulheres não ocupam funções gerenciais no tráfico, elas são direcionadas a executarem serviços de embalagem e transporte, muito provavelmente em razão uma hierarquização baseada em gêneros.