Ninguém duvida que “Blade Runner – O Caçador de Andróides", de Ridley Scott, é um clássico da ficção científica. O que nem todos sabem é que o #Filme não foi lançado da maneira como o diretor pretendia, por conta de desentendimentos com os poderosos da Warner, que bancaram o projeto e queriam deixá-lo “mais palatável” (leia-se “comercial”).

Em 2007, foi lançada a “The Final Cut de “Blade Runner”, que não trazia a narração em off (gravada a contragosto por Harrison Ford) e apresentava um final diferente, além de poucos segundos de imagens que acrescentavam novas possibilidades de interpretação ao conteúdo do filme. Resultado: é amplamente considerada a versão definitiva do clássico.

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Ao final de A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”, fica difícil não pensar que o filme do diretor Rupert Sanders precisa de um ‘final cut’ como o que foi dado a “Blade Runner”.

Baseado no cultuado mangá de Masamune Shirow (que originou o igualmente cultuado anime de Mamoru Oshii, em 1995), o novo filme atualiza os temas e características estéticas do estilo cyberpunk para os dias atuais. A trama segue a trajetória de Mira Killian (Scarlett Johansson), uma ciborgue com cérebro humano, projetada para ser uma espécie de soldado perfeito. Seu lado humano, no entanto, a leva a questionar suas memórias e o sentido de sua existência. A sinopse entrega: essa é uma história de conteúdo filosófico. Começam a partir daí os problemas do filme.

O diretor Sanders foi bem sucedido em recriar a atmosfera de clássicos cyberpunk (como o citado “Blade Runner”, “Akira”, “Fuga de Nova York” e o próprio anime “Ghost in the Shell”) e em preencher seu universo com boas doses de humanidade (vinda dos personagens de Johansson, Michael Pitt, Pilou Asbaek, Juliette Binoche e Takeshi Kitano).

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Há cenas poéticas, como aquela em que Mira mergulha no mar e vê um reflexo silencioso e distante da opressiva metrópole. Só que todos esses momentos são seguidos por uma narração em off, ou por diálogos expositivos que “explicam” o significado das cenas. Pior, as explicações são simplistas e banais. O efeito é invariável: todas as vezes que o filme empolga, murcha logo em seguida.

O mais frustrante é que, diante dos vários acertos, o problema poderia facilmente ser contornado na sala de edição. Bastaria eliminar a narração em off e as partes expositivas dos diálogos (especialmente as diversas tentativas de explicar a metáfora do “fantasma na máquina”, que dá título à história). Um pouco de confiança na inteligência do público teria feito um bem imenso ao filme. Resta torcer por um “final cut” como o de “Blade Runner”, pois, da maneira como foi lançado, sobrou máquina e faltou fantasma a esse “Ghost in the Shell”. #Entretenimento #Cinema