Ela, a médica Virginia Soares de Souza, não conseguira jamais voltar as suas atividades médicas depois que foi acusada de antecipar a morte de pacientes ao desligar aparelhos de respiração com pressão positiva, ou diminuir a tensão do oxigênio, o percentual na mistura de gás oferecido ao cliente. Ela foi demonizada até na sua aparência física, rotulada de demônio do CTI. Acusações infundadas e caluniosas, que só agora cinco anos depois a Justiça desvendou e sentenciou que ela é inocente.

Parece com um caso semelhante daquele da Escola de Base, em São Paulo, quando os réus foram inocentados, mas perderam tudo e muito mais, a dignidade.

Publicidade
Publicidade

Via de regra, o público e também o usuário não compreende o que se passa e como evolui uma doença. Muita vezes sem o suporte religioso ou filosófico para aceitar a morte, ou ao fracasso do tratamento, imputam a culpa naquele que está mais próximo do doente, obviamente o médico ou a equipe de cuidados, ou os dois.

A iatrogenia, o erro médico, a pressão da indústria farmacêutica, a ciência e a tecnologia certamente têm parte nessa em tal culpa, mas é preciso ter muito cuidado em acusações de quem está diretamente envolvido com os cuidados em saúde.

Todos já ouviram falar muito que a medicina é a ciência das verdades transitórias, e isso não está errado. Assim como a tecnologia que muda com os novos conhecimentos e os saberes que mudam com as épocas e costumes, a arte da medicina também.

O que nunca muda é o afeto do bem, a caridade e o espírito humanista que está embutido dentro de quem se propõe dar a vida nos cuidados do ser humano debilitado e fragilizado pela doença.

Publicidade

A médica Virginia em uma entrevista diz em tristes refrãos que nunca mais poderá tratar das mazelas de seus pacientes almejando a sua cura, assim como não mais poderá relacionar-se com as famílias procurando o conforto espiritual, algo que foge do lado material da profissão, a qual lutou para conseguir em estudos e com a prática na beira do leito

Muita vezes o tratamento se torna fútil e torturante, sem chance de cura ou melhora. É comum o médico usar de palavras para definir o quadro especialmente entre os membros da equipe, que se pode se traduzir por outros significados. Palavras como "sem chance" ou "nada mais tenho a fazer" significam uma espécie de derrota para o médico, mas nunca de "estamos jogando a toalha".

Muita provavelmente foi isso que aconteceu com a médica Virgínia. Não deveriam de chegar a esse ponto com ela, que hoje trabalha em telemarketing. Foi uma crueldade. #Erro Médico #UTI #CTI