No Brasil, cerca de 500 mil pessoas são estupradas todos os anos, mas apenas 10% dos casos são denunciados. Uma sobrevivente do Maranhão, Girlene, compartilhou sua história com a Marie Claire dos Estados Unidos.

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O pai

Ela conta que sua mãe era constantemente abusada pelo pai e, quando pequena, ela não notava as muitas marcas, arranhões e hematomas. Pouco depois disso ele começou a agredi-la também [VIDEO], assim como à sua irmã. “Minha irmã chegou a quebrar o nariz e minha clavícula foi fraturada”, ela relata.

Quando ela tinha 10 anos, a mãe, finalmente, abandonou o pai. Eles não tinham muito dinheiro sem o pai então, ela e a irmã começaram a trabalhar como domésticas para ajudar nas finanças.

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O dinheiro era pouco, cerca de R$ 60 por mês, mas ela levava o dinheiro para a mãe e voltava para a casa de trabalho em condições precárias: “Eu recebia pouca comida e tinha que dormir no chão e estava autorizada a ir para casa apenas uma vez por mês”, ela conta. Depois de 6 meses nessas situação, ela e a irmã estavam exauridas, não aguentaram mais e voltaram a viver com a mãe.

O padrasto

Na época em que voltaram para casa, a mãe estava vivendo com outro homem. No começo, ele era maravilhoso com a família, ele as tratava bem e provia a casa para que ela e a irmã pudessem voltar para a escola. Depois de algum tempo, ele começou a ficar irado com facilidade porque elas não estavam em casa o tempo todo e começou a proibir que acendessem as luzes para estudar e quando voltavam da escola, o padrasto já tinha jogado fora toda a comida para que não tivessem o que comer. “Minha mãe sempre ficava do lado dele – tudo era culpa nossa”, diz Girlene..

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Certo dia, após a aula de dança, ele chegou em casa e Girlene estava no chuveiro. O banheiro era do lado de fora e o padrasto entrou repentinamente no banheiro, tapou a boca da garota e a estuprou. Ela tinha apenas 13 anos.

“Eu fiquei caída no chão, tentando entender o que havia acontecido, eu estava sangrando e com muita dor. Eu tenho “flashes” desse momento horrível até os dias de hoje”, conta a moça.

O padrasto de Girlene disse a ela que sua mãe para não iria acreditar caso ela dissesse algo sobre o acontecido. Ele estava certo. Quando ela tentou contar à mãe ela foi interrompida abruptamente pela mãe que lhe disse que sua história era coisa de sua cabeça.

Girlene continuou morando em casa por vários meses, uma vez que não tinha para onde ir. O padrasto continuou estuprando-a sempre que podia e nos momentos em que a mãe não estava em casa, a #agressão sexual era pior..

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Certa feita, quando voltaram da escola, a mãe abriu a porta da frente e disse a elas para saírem de casa, porque estava insustentável viver com elas e o padrasto no mesmo lugar e, ela não estava preparada para ficar sem ele.

A salvação

A irmã de Girlene foi morar com o namorado e ela passou dois dias dormindo nas ruas. Quando estava nas ruas, Girlene encontrou duas assistentes sociais que foram cruciais para a transformação que houve na vida dela. Uma das assistentes convidou-a a morar com ela.

Daí em diante, ela conta que sua vida começou a florescer. Ela começou a participar de muitos workshops e aprendeu sobre exploração sexual, sobre seus direitos e o básico em advocacia.

“Devagar fui encontrando minha voz e acabei por contar a uma das educadoras sociais o que aconteceu na minha vida quando eu tinha 13 anos”, conta emocionada.

A dança a ajudou a superar o que ela define como “demônios” que a mantinham acordada a noite toda. Segundo ela, quando dança ela fica maior do que todos os seus “monstros” e afirma feliz: “não há dinheiro que possa comprar essa sensação”.

Hoje, aos 30 anos, Girlene é graduada e possui um estúdio de dança em conjunto com seu marido e tornou-se também uma educadora social e termina a entrevista com a frase:

“Eu consegui tudo o que eu queria apesar do que me aconteceu anos atrás. Uma grande parte da minha vida foi de pura dor, mas hoje, eu estou completamente livre.”

Depoimento em vídeo

#Estupro #crianças