Charles Bukoswski, escritor americano maldito dos anos 60, descreve de forma indelével a #loucura e a expõe. Viver é coisa de maluco, disse: " Alguns nunca enlouquecem, que vida de merda eles devem levar". Por menos que se concorde com essa sentença, é inútil lutar contra o que está oculto lá dentro das pessoas opera o cenário de uma batalha inglória, pois o oculto virá, independente da vontade, é uma questão natural de tempo e de oportunidade.

Bukoswski nasceu na Alemanha e viveu na Califórnia, onde morreu em 1994. Ele compõe uma dezena de autores americanos que inauguraram a geração Beatnik, um pessoal que expõe um sonho americano aos frangalhos e ao contrário, gente que formava aquela tropa de fracassados do status americano, em um ambiente da Los Angeles profana, coalhada de homens e mulheres de um mundo bizarro e pervertido.

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Ele ficou famoso por revelar exatamente este mundo devasso, de sexo e drogas que estava inserido na sociedade americana e em sua vida de alcoólatra e de promiscuidade, Não foi só uma questão de necessidade, porém de personalidade. Virou um cult, da UCLA ( Universidade de Los Angeles) revelando o que sempre foi.

Seria pois, mais bonito, se o que José Mayer tivesse escrito em sua carta de desculpas fosse subjetivo, sincero com si e com o mundo, ao invés de gastar parágrafos e mais parágrafos na intenção de diagnosticar sua atitude no campo da psiquiatria e chegar a lugar algum.

Sincero, não numa admissão de culpa fajuta como fez, mas de aceitação da sua própria hediondez da sua atitude tresloucada em aparência, e agora parodiando o Nelson Rodrigues, uma revelação direta da sua personalidade admitindo loucamente a condição de canalha.

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Seria mais bonito se tivesse dito: pessoal eu sou um canalha.

Essa confissão em nada diminuiria a figura imponente como ator do sujeito #José Mayer e é possível que inaugurasse então um outro sujeito com uma imagem oposta daquela que tem mostrado na tela da TV. Ficaria inclusive mais honesto no seio da sua família.

Foi feio demais ele querer ocultar um comportamento considerado pela sociedade como loucura, admitido publicamente e depois de confirmar que assediou e até bolinou a moça figurinista e tentar justificar, a principio, dizendo que estava representando uma cena teatral, e depois numa façanha para se manter em pé em uma carta sacana na base do "mea culpa".

Lamentável, ele vai se desmoronando depois de um trabalho de muitos anos de atuação nos palcos e na TV, sem abrir nenhuma outra porta, poderia admitir o que ele sempre foi.