A competição era intensa nos tempos de Charles Darwin, deixando fortes influencias em sua teoria. Um bom exemplo é o comportamento de flerte dos filmes das obras de Jane Austen, contemporânea e conterrânea do naturalista inglês.

Mostra-se uma grande tensão entre jovens, competindo entre si na conquista do sexo oposto em bailes cerimoniais. Seguiam regras rígidas, sob a avaliação de olhares alheios, em cada movimento que realizavam. Supostamente, esta experiência influenciou a consciência de quem viveu esses tempos.

Elaborando a teoria da seleção natural, #Darwin viajou para vários lugares, incluindo o Brasil. Coletou materiais vegetais, espécimes animais e outras coisas.

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Concluiu que os animais competiam entre si ou por recurso alimentar, ou parceiro sexual e outras competições. O vencedor era selecionado em detrimento do perdedor.

A seleção natural determinaria quem prossegue no caminho da #evolução, quem está extinto e quem continuará tendo filhos, deixando descendentes.

Os jovens britânicos participavam de cerimoniais competitivos, seguindo regras de conduta e exibindo danças sofisticadas. Dessa formam teriam algum parceiro sexual, sem que algum terceiro se escandalizasse moralmente.

Outra possibilidade seria copular com este parceiro, “deixando filhos”. Ao mesmo tempo na teoria evolutiva, os animais realizavam atividades competitivas e, após o julgamento seleção natural, teriam um parceiro sexual e “deixariam descendentes”.

Por estar em uma sociedade competitiva, Darwin estava condenado a ver a competição mesmo quando não houvesse (inauguro o uso da palavra “condenado” neste texto, aparentemente um termo exagerado para um primeiro contato).

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Mesmo quando partiu da Inglaterra para lugares distantes, onde não havia sequer um britânico, viu animais competindo pela possibilidade de se acasalarem, tal qual os jovens britânicos faziam nas danças cerimoniais.

Herdou de alguém… já era

Vamos mudar um pouco de assunto e falar de genes e #Herança Genética. Há resultados científicos que defendem uma relação rígida entre os genes herdados de familiares e a expressão desses genes nos indivíduos. Ou seja, “herdou de alguém... já era” e está condenado a esta herança ou há alta probabilidade de desenvolver doença genética, caso familiares a possuam.

Mas outros resultados científicos descrevem diferentes possibilidades de expressão de genes. Estas incluem estados sadios e dependeriam, dentre outras coisas, do comportamento do indivíduo ou dependem do indivíduo, “não impondo condenação alguma”.

Apesar da diversidade na ciência dos genes e expressões gênicas e de ambas vertentes apoiarem-se em estudos científicos válidos, há difusão de uma abordagem em detrimento da outra.

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Talvez esteja claro qual é prioritariamente divulgada.

Não obstante, vários são os motivos que levam à divulgação de um resultado em detrimento de outro. Geralmente, interesses comerciais, pessoais ou políticos estão envolvidos.

Luz sobre as diversas condenações

Acima, propus que a vida em sociedade determinara a elaboração da teoria científica de Darwin. Nomeio isso como o “paradigma do sujeito condenado” pois estava condenado a olhar os animais da natureza sob a influência da sociedade de seu tempo. Ou seja, estava condenado a rever a sociedade britânica para onde quer que olhasse.

Quanto ao paradigma científico da herança de genes, estamos condenados a expressar os genes que herdamos? Ou podemos influenciar as condições de saúde de acordo com as escolhas? A ciência expõe possibilidades.

Quem prioriza a divulgação são os interesses específicos. Os resultados científicos retratam genes determinando condições de saúde e genes sujeitos às escolhas do indivíduo. Trata-se da mesma dicotomia: estamos condenados? Ou a escolha é nossa? Qual paradigma científico vamos escolher? Darwin provavelmente não teve opções entre paradigmas. Ou optou pelo sujeito condenado?

Temos dois paradigmas: a do sujeito condenado e a do sujeito que escolhe. Agora é lidar com nosso tempo.