Todos nós sabemos que as delações premiadas estão lavando a alma do Brasil. Diante de horas de depoimento, a prática das propinas fica mais clara a cada dia que passa. Vamos reunir diversas informações para esclarecer como funcionava a #Propina dentro da Odebrecht.

É claro que algumas informações são contraditórias. O sistema de propina para partidos, executivos, políticos, etc. era tão bem desenvolvido e sofisticado que fica muito complicado saber como funcionava os detalhes.

Sabemos que a Odebrecht criou um setor apenas para cuidar dessas propinas, ao qual deram o nome de Departamento de Operações Estruturadas. Era um setor como qualquer outro dentro da empresa, mas ele processava os pagamentos ilícitos tanto do Brasil quanto do exterior.

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Esses pagamentos era organizados por meio de um sistema.

É o mesmo de onde saíram as planilhas com os codinomes das pessoas que recebiam o dinheiro. Você se lembra do Banestado? O escândalo de #Corrupção no Brasil que veio à tona em 2003 e levou quase 100 pessoas para a cadeia por estarem envolvido com o esquema? Então, esse escândalo foi um marco no Brasil e também na #Odebrecht. A partir desse escândalo, eles tiveram a ideia de criar o setor de propina para sofisticar os pagamentos ilícitos.

Se você pensa que era tudo bagunçado, está enganado, pois havia até uma hierarquia nesse setor. Hilberto Mascarenha era o chefe do setor. Abaixo dele tinha Luiz Eduardo da Rocha Soares, que tinha conhecimento em operações financeiras internacionais. Segundo Luiz Eduardo, Maria Lúcia Tavares também ajudou a montar o setor de propina por sua expertise em fazer pagamentos ilícitos.

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Maria Lúcia foi presa na 23ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Acarajé, que era o código utilizado para as propinas.

Segundo Luiz Eduardo, o primeiro passo era abrir uma conta no Caribe, que era a porta de saída da propina. Mas, para o dinheiro chegar até lá, foi criado um sistema complexo, que era abrir contas em diversas partes do mundo em nome de terceiros de níveis dois e três. O intuito era apagar os rastros do dinheiro.

Eram escolhidos bancos que não fossem muito grandes, mas em países com o nível de segurança da informação alto, como Áustria, Suíça e Ilha da Madeira. Outro requisito para a escolha do banco é que a Odebrecht tivesse acesso à cúpula do banco. Eles foram orientados a procurarem outros clientes que não fosse apenas a Odebrecht para evitar suspeitas.

A propina na construtora cresceu tanto que foi necessário criar o sistema para organizar quem pagava, quanto pagava e o seu codinome. Hilberto Mascarenha, ex-diretor do Departamento de Operações Estruturadas, conta que o servidor do sistema foi instalado fora do Brasil, que inicialmente foi em Angola, mas retirou de lá porque tinha problemas na comunicação.

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Quando o servidor saiu da Angola, foi pensado em diversos lugares, mas não foi considerado conveniente o Panamá. Então, foi decidido que iria ficar em um datacenter na Suíça.

O investimento de tecnologia era alto para ter certeza que o pagamento de propina iria ser efetuado de forma segura. O sistema era tão profissional que havia um controle de valorização de políticos. Era feito um mapa para saber qual candidato iria receber determinado valor e que um determinado candidato não podia receber mais propina do que outro.

O setor da propina ficava no 13° andar da Odebrecht, em São Paulo. Com a explosão da Lava Jato em 2014, presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, ficou preocupado: o que deveria ser feito com o departamento de propina? Nesse ponto os delatores demonstra pontos diferentes.

Segundo Marcelo Odebrecht , decidiu mandar todo o setor para fora do país e encerrar as operações. De acordo com Hilberto Mascarenha, a equipe foi mandada para fora do Brasil para evitar riscos e continuar as operações.

Segundo os delatores, meses depois das mudanças Marcelo Odebrecht foi preso.