Há algum tempo temos percebido a grande repercussão gerada pelo jogo #Baleia Azul, no qual um aliciador estimula jovens a enfrentar desafios, de princípio inofensivos, mas que logo evoluem para façanhas mais sérias, como automutilação e, por fim, tirar a própria vida.

O fato de jovens no mundo todo e até no Brasil estarem aderindo a esse jogo considerado insano e perigoso merece ser debatido porque expõe um problema de saúde mundial sobre o qual não gostamos de falar, mas que não pode ser ignorado: o alto índice de suicídio entre os jovens.

Apesar de muitos não entenderem nem gostarem de admitir que jovens podem se sentir tão angustiados a ponto de querer tirar a própria vida, é necessário prestar atenção nos jovens, porque o suicídio, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), já é a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 24 anos, o que demonstra a vulnerabilidade emocional dessa faixa etária que muitos gostam de imaginar como alegre e despreocupada.​

Especialistas têm analisado o perfil de jovens participantes que entram nesse jogo por meio de um link acessível em redes sociais e que se diz ter sido criado na Rússia por acaso, mas que na verdade se iniciou por meio de notícia falsa e observaram que os jovens tinham algumas características em comum: falta de motivação, baixa autoestima e um grande vazio interior, o que os levava a se sentir melhor emocionalmente quando faziam parte de um grupo. [VIDEO]

Um fator que os pais não podem ignorar é quando seus filhos apresentam mudanças de comportamento repentinas, como usar roupas para cobrir todo o corpo, desinteresse pela vida e apatia.​O fato de tantos jovens estarem aderindo a isso mostra que os pais precisam estar próximos dos filhos, fazer com que se sintam amados e, principalmente, prestar bastante atenção a como agem.

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Normalmente, quando um adolescente se retrai, a tendência geral dos pais é acharem que é uma característica normal da idade, quando na verdade pode estar escondendo algo mais sério, como depressão, ansiedade ou sentimentos profundos de inadequação, que fazem alguém dar muito pouco valor à própria vida e sentirem que não se encaixam em nenhum grupo ou no mundo.

Também é importante que reavaliemos os critérios de valores em que estamos criando nossos jovens. Tem se tornado mais comum, numa idade que supomos que deveria ser cheia de esperanças, sonhos e alegrias, haver tanta gente insatisfeita e desesperançada? ​Ver que os filhos têm problemas sérios pode deixar os pais desnorteados e impotentes, fazendo-os perguntar se não foram capazes de transmitir amor, mas sabemos que essa nunca será uma pergunta fácil de responder numa era em que a depressão se tornou um caso mundial de saúde pública.

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Vale acrescentarmos que problemas emocionais sempre envolvem uma conjunção complexa de fatores e que a mente humana é essencialmente vulnerável a fatores externos, principalmente os valores impostos pela sociedade, que podem fazer muitos se sentirem excluídos do que é considerado normal, aceitável e bom.

Em uma idade ainda tão tenra, a violência de fatores externos sobre a mente é muito maior, tornando-os suscetíveis a jogos como o Baleia Azul. #BlueWhale #DesafiodaMorte