O historiador Marco Antonio Villa, em seu programa matinal da Rádio Jovem Pan, desafiou o deputado federal carioca Jair Bolsonaro - ex-Partido Progressista (PP), desde março de 2016 no Partido Social Cristão (PSC) - a participar de um debate na emissora. A conversa teria ocorrido logo na segunda quinzena deste maio, e o #bolsonaro aceitou o convite, e na manhã desta terça-feira (23), às 9 da manhã, ele conversou ao vivo com Villa.

A entrevista começou com tom amistoso entre o deputado e o apresentador. Bolsonaro, que é defensor dos militares, respondeu às perguntas relacionadas à economia e #Corrupção, entre outros assuntos.

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O deputado também citou a forma hostil como tem sido recebido em diversas instituições, como ocorreu na sede da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no bairro da Consolação, na capital paulista, no dia 8 de março quando participou de evento.

Revelando desconhecer questões importantes e inerentes ao cargo de presidente da República, Jair Bolsonaro reclamou não ter parlamentares, governadores e prefeitos como aliados em suas viagens internacionais como a que fez, recentemente, à Israel.

Citando o crescimento paraguaio de 6% ao ano e justificando-o com a redução de impostos, o deputado federal admitiu que a medida, no Brasil, seria muito mais complexa.

Em um determinado trecho da entrevista o parlamentar afirmou uma obviedade: que a crise econômica brasileira deve-se à corrupção desenfreada porque, segundo o deputado, "parece que no Brasil perdeu-se a noção do direito de roubar".

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Na sequência houve uma discussão acalorada entre o historiador Marco Antonio Villa e o deputado federal Jair Bolsonaro. Villa, processado pela Lei de Segurança Nacional, disse que o deputado desconhece a história do militarismo no Brasil ao citar que o presidente Castello Branco, ao tomar posse no Congresso Nacional, disse que acabaria com o mandato de Jânio Quadros.

A discussão seguiu com Villa indagando o entrevistado sobre ele ser liberal ou conservador no campo econômico, e ouviu que o deputado é a favor da privatização, em grande parte, justificando-a como forma de combate à corrupção. Nesse momento o historiador rebateu a alegação de Bolsonaro dizendo que as grandes empreiteiras do Brasil cresceram durante o regime militar citando, como exemplos, desvios ocorridos na construção da ponte Rio-Niterói e rodovia Transamazônica . O deputado, por sua vez, perguntou qual presidente deixou o cargo rico e contra-atacou dizendo que a Rede Globo nasceu durante a ditadura como um exemplo de que, na sua visão, não houve censura durante o regime.

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O ponto principal da conversa, que durou pouco mais de 42 minutos, foi a citação, por parte do historiador, de que o grupo JBS, dos irmãos Batista, doou o montante de R$ 300 mil ao deputado nas eleições de 2014.

Bolsonaro afirmou que recebeu um telefonema do presidente do seu partido, à época o PP, relatando que efetuaria o depósito do valor em sua conta bancária. O deputado então, determinou que fossem depositados R$ 200 mil em sua conta e outros R$ 100 mil na conta de seu filho, Eduardo Bolsonaro, também deputado federal pelo PSC-RJ. Segundo o parlamentar, ele recebeu a informação de que o dinheiro era oriundo do frigorífico dos irmãos goianos através de um assessor e imediatamente exigiu o estorno da operação, o que não se provou que aconteceu.

Bolsonaro disse que acabou ficando com o montante porque o recebeu do fundo partidário e não diretamente da #JBS/Friboi, afirmando que todos os partidos políticos recebem propinas de dezenas de empresas, não apenas do frigorífico goiano, e advertiu o historiador a não lhe rotular como corrupto, lembrando a declaração de Alberto Yousseff que, em sua delação, disse que apenas dois deputados do PP não receberam propinas da Petrobras sendo Bolsonaro um deles.