"Quanto vale o show?" Essa frase, ouvida em programas de entretenimento populares, bem que poderia ser adaptada ao mundo das relações humanas atual. Não é segredo para ninguém que, quanto mais forem os recursos e condições à disposição de alguém, mais fácil a sua vida se torna.

O mundo é um mercado. Sendo assim, como se destacar e se promover de maneira adequada? Na área profissional, por exemplo, do que mais depende a contratação, além do currículo impecável, da linguagem corporal e do domínio do inglês? A resposta depende do reconhecimento e da análise de quais são os valores e recursos mais valorizados pela sociedade hoje.

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O que tem mais valor no mundo das relações?

Veio da filosofia, por meio de pensadores como Pierre Bourdieu, a ideia de que temos um conjunto de recursos e valores que nos garante certas posições no jogo das relações humanas. Ele chamou a esses recursos de capitais e os numerou em três: o capital material, o capital cultural e o capital social.

Capital Material - Dentre eles é tradicionalmente o mais popular. Todos sabemos que os bens materiais tornam a vida mais fácil, nos abrem portas e dão acesso a todas as coisas que o #Dinheiro pode comprar. Há quem ingenuamente pense que "dinheiro não é tudo". Não é, mas certamente faz da vida uma experiência muito mais prazerosa e confortável.

Capital Cultural - Refere-se a tudo o que você estudou, conheceu e aprendeu, de modo formal e informal. Envolve os museus, teatros, ponto turísticos que você visitou, as viagens que você fez, as comidas e bebidas que você saboreou.

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É aquilo que você compartilha para tornar uma conversa mais interessante. Se você é aquela pessoa com quem todo mundo aprende ao conversar, o capital cultural é o seu forte.

Capital Social - Sabe aquele conjunto de contatos profissionais (networking) ou aqueles amigos e colegas a quem você pode recorrer para resolver qualquer necessidade, ajudar num problema ou viajar junto? Se você se identificou, eis o seu diferencial. Pessoas bem relacionadas costumam ter vidas mais funcionais e movimentadas, o que as faz mais felizes.

A inter-relação mais ou menos equilibrada entre esses três recursos pode garantir mais sucesso na vida. Um novo capital, porém, foi nomeado e, ao ser adicionado à equação, reorganiza e redefine a interação entre os outros capitais.

Com vocês, o capital erótico

Como já diria o saudoso compositor Vinicius de Moraes, "Que me perdoem as feias, mas #Beleza é fundamental". À parte qualquer espécie de hipocrisia, o "Poetinha" estava certo. Só que isso não se restringe apenas às mulheres.

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A beleza é um dos elementos do capital erótico. Quem nos cantou a bola a respeito disso, ou ao menos ousou nomeá-lo sem pudores, foi a socióloga britânica Catherine Hakim, em seu livro "Capital Erótico - Pessoas atraentes são mais bem-sucedidas. A ciência garante".

O capital erótico é “a união de atrativos físicos e sociais, que torna alguns homens e mulheres companhias agradáveis e bons colegas, atraentes para todos os membros de sua sociedade e, especialmente, para o sexo oposto.”

Os atrativos físicos e psicológicos sempre tiveram impacto nas relações humanas. As pessoas mais bonitas e atraentes geralmente chamam a atenção e conquistam os olhares. No mundo corporativo, que é apenas uma parcela do mundo social mais amplo, a coisa não podia ser diferente. Profissionais de RH ficam constrangidos, mas reconhecem a influência do capital erótico. Num processo seletivo, quando as experiências curriculares se equivalem, a aparência e os atributos psicológicos marcantes podem definir o jogo.

Capital erótico é poder

Há pesquisas indicando que pessoas com melhor aparência ganham mais e são promovidas com mais facilidade. Hakim afirma que, no Canadá e nos Estados Unidos, homens com maior capital erótico ganham de 14% a 27% a mais que homens menos atraentes.

"O capital erótico de Hakim não é composto apenas pela beleza facial, mas considera também outros cinco elementos: a sensualidade, as habilidades sociais, a vivacidade, a sexualidade e apresentação pessoal. Logo, assim como os demais capitais de Bourdieu, é possível e importante que você os desenvolva na medida dos seus objetivos pessoais", esclarece o especialista em moda, Eduardo Vilas Bôas.

Na vida, quem se dá bem é quem reúne esse conjunto de recursos de maneira equilibrada, ou quem se destaca mais em um deles. Portanto, se você sabe porque não recebeu resposta no WhatsApp daquela pessoa, mas não entende o porquê de não ter conseguido aquela vaga, reflita um pouco mais. Se seu currículo estava bem elaborado e sua performance foi boa na entrevista, o que pode ter deixado você de fora - assim como nas baladas da vida - foi que você não tinha o perfil (erótico!) da vaga.

O jeito é focar nas suas habilidades mais evidentes, buscar melhorar as menos interessantes e continuar tentando achar o seu lugar ao sol. #Cultura