Na manhã desta terça-feira (23), vimos o que deveria ter sido um debate, ou entrevista, entre o historiador e comunicador professor Marco Antonio Villa e o polêmico deputado Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ) se transformar em uma espécie de rinha de galos ao longo de mais de 40 minutos na Rádio Jovem Pan.

Dias atrás, o historiador, com sua tradicional verve, havia desafiado o deputado para um debate de ideias, e nada surpreendentemente, #bolsonaro aceitou. Tendo em vista que este último está há tempos buscando projeção nacional para viabilizar uma futura candidatura à Presidência da República, aproveita todas as oportunidades de exposição midiática para se comunicar com seu eleitorado em potencial.

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Mas, infelizmente, para decepção de uma audiência que gostaria de, ao menos, ver o possível candidato explicar seus pontos de vista, e mesmo ser desafiado intelectualmente pelo professor Villa - que, diga-se de passagem, é autor de um ótimo livro sobre a ditadura militar - fosse para que este se sobressaísse ou, ao contrário, faltasse as condições de respostas condizentes com o tema, tivemos apenas um espetáculo de baixa categoria, em que o espaço de fala não foi respeitado, não faltaram insinuações e ironias para desmerecimento pessoal.

Péssimo exemplo dos debatedores

Cabia ao professor Villa, por ser um profissional de mídia e condutor do programa, elevar o nível do diálogo, ainda que lhe falte a neutralidade. Mas em lugar disso, não ofereceu aos seus ouvintes a oportunidade de acompanhar uma discussão propositiva.

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Faltou-lhe a presença de qualidade, que certamente tem e já demonstrou em outras oportunidades.

Cabe ressaltar ainda que o deputado Jair Bolsonaro, experiente político, deveria se portar com maior maturidade diante da já esperada oposição, a qual já está mais do que habituado. Mesmo porque, suas pretensões políticas são elevadas e deve estar a altura destas, se preparando melhor para a discussão de temas que vão além do seu cotidiano até então.

Sua plataforma não pode estar limitada ao público que já tem, tampouco ao repertório de temas que vem explorando. Oportunidades e recursos não lhe faltam, tampouco pessoas que o possam ilustrar nos temas que são urgentes para o país. Ignorar isso é condenar qualquer pretensão de prosseguir em sua determinação em ser candidato ao Alvorada.

Quem venceu o debate?

Um infeliz traço da cultura contemporânea, diante de tais embates, é tentar definir quem "venceu" e quem "perdeu" o debate. Algo meio que baseado em uma percepção equivocada de que um debate se mede em um misto de humilhações e xingamentos triunfantes sobre um adversário acuado e sem respostas.

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De fato, principalmente este, não vejo vencedor algum. Os partidários do deputado, que se satisfazem com seu descontrole emocional quando pressionado, certamente adoraram suas reações. Os fãs de Villa devem ter ficados satisfeitos com sua disposição de ironizar e não deixar espaço de resposta. Para mim, ninguém ganhou nada. Aliás, minto, ganhou mais quem, ao contrário de mim, não perdeu tempo com este debate de mentirinha. #JairBolsonaro #debatejovempan