Pelo visto, o Brasil deixou de ser um Estado laico. Ao menos é o que muitos críticos pensam em relação à pactos firmados entre líderes religiosos e governadores.

Por outro lado, independente do que cada um pensa, nesse meio tempo, João Doria, prefeito da maior cidade do país, que é São Paulo, busca por afinidades cada vez maiores com os grupos religiosos protestantes em geral, participando ativamente dos seus cultos. Doria deixa claro que é católico, mas ele está mesmo é interessado em poder estar próximo das principais e inúmeras lideranças evangélicas, visando às eleições de 2018.

Tanto é assim, que no aniversário de 47 anos do denominado bispo Samuel Ferreira, principal líder das Assembleias de Deus Ministério Madureira, João Doria esteve presente na noite do último sábado (20) e, como todo “político de carterinha”, parece que pensou que estava fazendo um discurso político e não que se encontrava em um templo religioso, passando a empunhar o microfone, começou a dizer para os fieis presentes que todos deveriam procurar por uma nação mais honesta e decente.

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Até mesmo oração pelo Brasil o político do #PSDB-SP pediu, sendo este o mesmo partido que até dias atrás tinha o corrupto e de linguagem chula, senador Aécio Neves, como presidente nacional. Enfim, o prefeito paulistano reforçou que se tivesse qualquer outro compromisso assumido, ele trataria de o desmarcar para poder comparecer ao aniversário do bispo; sendo que Doria também elogiou o pai de Samuel, o também bispo e responsável pela fundação da #Igreja Manoel Ferreira.

Neste momento do culto, foi o que bastou para que Manoel solicitasse orações para o presidente Michel Temer, gravado recentemente incentivando o pagamento de propinas por parte de Joesley Batista, dono da Friboi, para Eduardo Cunha, que está preso no Paraná, a fim de que esse último se mantivesse calado em relação a todas as mazelas que parecem brotar junto à camada política do Brasil.

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Doria em nenhum momento declarou abertamente que concorrerá em 2018 na eleição para presidente da República, mas fato é que o culto em questão assumiu contornos de comício, até mesmo porque o bispo Manoel falou que o Executivo do Cidade de São Paulo já não é mais capaz de conter o porte de alguém como Doria e um terceiro bispo, agora Abner Ferreira, irmão de Samuel, revelou que muitos dos fieis já observam em Doria o novo presidente do país.

Não é de hoje que o prefeito de São Paulo vem recebendo o “carinho” especial de muitos pastores como, por exemplo, a imposição de mãos desses líderes da cristandade, orando por sobre a cabeça dele.

A denominação Assembleia de Deus não foi a única a ser visitada por João Doria, mas também outros templos, como o da Igreja Mundial, onde o prefeito se utilizou da mesma estratégia de aparição, mostrando-se amigo do pastor local.

Tudo isso não passa de um grande curral eleitoral, prostituição de fato entre #Religião e Estado, ou é somente uma forma de manifestação política comum desde o Brasil colônia, que foi transferida para o país durante a instauração do regime militar e insiste em perdurar até os dias atuais?