Em abril deste ano uma notícia estarreceu o mundo: homossexuais estavam sofrendo emboscadas, perseguições e sendo presas em pelo menos quatro prisões específicas e não oficiais, em uma espécie de campo de concentração na Chechênia, onde eram torturadas e forçadas a “entregar” outros homossexuais para que fossem presos; alguns foram mortos e outros simplesmente desapareceram.

O governo tentou desmentir os relatos iniciais, mas o surgimento de novos relatos daqueles que conseguiram escapar das prisões denunciou a realidade cruel à qual homossexuais estavam sendo submetidos. Em suas tentativas de contornar a situação, o governo ainda utilizou o argumento de que não existiam homossexuais na #Chechênia e, mesmo que existissem, as próprias famílias tratariam de apagá-los da sociedade.

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Seguindo tal onda, na última sexta-feira (5), um jovem de 17 anos foi morto pelo próprio tio ao ser jogado do alto de um prédio, por ser homossexual.

A Chechênia é uma das repúblicas da Federação da Rússia, governada por Ramzan Kadyrov, líder extremamente autoritário e leal a Vladimir Putin, presidente da Rússia. O histórico de perseguição #LGBT+ na Rússia não é novidade, visto que a liberdade de vivência das sexualidades e das identidades de gênero fora da norma hetrociscentrada, é vista como um ataque à tradicionalidade do país, proibida e perseguida.

Os absurdos vividos pelas pessoas LGBT+ na Rússia e na Chechênia são alarmantes e denunciam a violação dos direitos humanos, que vem ocorrendo em vários locais do mundo.

Um movimento virtual de apoio à causa vem acontecendo nas mídias sociais: o beijaço entre apoiadores, no Kremlim, em Moscou.

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Enquanto isso, no Brasil, na mesma sexta-feira, Thadeu Nascimento, homem trans, teve sua casa invadida, foi estuprado e assassinado em Salvador, Bahia. Infelizmente, o caso de Têu, como era chamado, não é um caso isolado, pois o Brasil é o país que mais mata pessoas trans (Travestis, Transexuais e Transgêneros) no mundo.

Trans são as maiores vítimas das violações de direitos humanos e assassinatos no Brasil. Somam-se a isso os casos de estupros corretivos que mulheres lésbicas sofrem diariamente, porque os agressores julgam que elas só são lésbicas porque ainda não conheceram o homem certo que poderá ensiná-las como ser “mulher de verdade”; os gays que são agredidos e assassinados em escolas, em casa e nas ruas simplesmente porque não são o tipo de homem que a sociedade define como a norma; bissexuais que são fetichizadas e tem sua sexualidade taxada como duvidosa e promíscua, simplesmente por não satisfazerem à norma que oprime a todos e todas. A lesbobofia, a homofobia, a bifobia e a transfobia vem matando pessoas todos os dias no Brasil.

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A cada 25h uma pessoas LGBT+ é morta. Em 2016, foram registradas 343 mortes de pessoas LGBT+ no país – isso sem contar os casos não registrados.

A lgbtfobia cria uma cerca invisível que vai vitimando pessoas por sua sexualidade e/ou por sua identidade de gênero. Se por um lado absurdos na Chechênia são noticiados e chocam o mundo todo, no Brasil ainda vivemos perseguições, emboscadas e assassinatos de pessoas LGBT+ em locais públicos e dentro de suas próprias casas. Não há lugar seguro para pessoas LGBT+ e estamos assistindo a criação de campos de assassinatos diários de pessoas que tem seus direitos humanos violados diária e constantemente.

É fato que se pode contar com grupos organizados de pessoas LGBT+ para registrar os casos de violência e cobrar do governo ações para o enfrentamento ao #Preconceito que faz vítimas todos os dias. No entanto, é necessária a percepção sobre as criações de inúmeras Chechênias no Brasil. Os casos de lgbtfobia continuam crescendo e o apoio ao conservadorismo também, levando pessoas a se julgarem no direito de violentar e assassinar outras por sua sexualidade ou identidade de gênero. Quantas Chechênias serão somadas para que a percepção dos campos de concentração brasileiros se efetive? Afinal de contas, quais vidas importam no Brasil?