Enquanto os Estados integrantes do Acordo de Paris se empenham em mitigar o uso de energias fósseis para cumprirem a meta de redução de emissão de gases (GEE) até o ano 2030, numa corrida acelerada para que o mundo não sofra ainda mais as consequências dessa exploração, o presidente estadunidense Donald Trump ”trava” este processo em seu país.

O afastamento dos Estados Unidos do Acordo de Paris, que ocorre em razão das propostas de mitigação do uso de recursos fósseis, abre uma lacuna nas políticas ambientais. Scott Pritt, administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), pediu a “saída" dos EUA do acordo climático e o presidente Donald Trump está direcionando novos regulamentos, afastando o país de suas obrigações Internacionais.

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Especialistas alertam que é tarde demais para nova pesquisa

Alguns países alertam que tais medidas não perseverarão, porque a ciência e a pesquisa revisada pelos Estados-partes do Acordo de Paris acabarão por prevalecer e poderá ser tarde demais para os que não aderirem tais medidas. O caso foi levado à Suprema Corte dos Estados Unidos, e a EPA, como resposta, apresentou o plano Back-to-Basics, que está revisando as regras e se preparando para novas medidas.

"As mesmas forças políticas e interesses capitalistas que estão por trás da retirada da ação climática em Washington também estão presentes em diversos estados ao redor da nação", disse Jeremy Symons, do Fundo de Defesa Ambiental. As consequências do protecionismo norte-americano, priorizando acordos com critérios desiguais, guiados de forma bilateral, faz com que países com menor expressão política percam a força que antes poderiam ter quando negociavam de forma multilateral.

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Essa temática econômica acaba sendo uma nova forma de lidar com o crescimento chinês e até mesmo o asiático. Enquanto isso, as multinacionais instaladas na China ganham mais dinheiro em troca de centenas de milhares de mortes causadas pela poluição do ar da produção.

Quem não concorda com as decisões de Trump?

A reação pública contra Donald Trump, esperada por quem defende a proposta do Acordo de Paris, já começa a ser vista. Alguns estados norte-americanos liderados por republicanos veem potencial para novos empregos e preços mais baixos em energia renovável. Alguns governadores já assinaram a legislação que impulsiona a energia solar e eólica em seus estados.

O Conselho de Defesa de Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), que trabalha para salvaguardar a Terra, se posiciona contra as medidas ambientais estadunidenses e diz que irá pressionar seus aliados (Estados, companhias de energias e organizações ambientais), que são intervenientes no caso de defesa.

Qual a posição do Brasil diante do Back-to-Basics?

No mês de abril, a Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul) realizou um seminário intitulado “As Novas Perspectivas para o Uso Sustentável do Carvão”, onde reuniu atores importantes nesta tomada de decisão, entre eles estavam o presidente da entidade, o secretário Estadual de Minas e Energia, a Frente Parlamentar de Mineração, o Sindicato Nacional da Indústria e Extração de Carvão, a Frente Parlamentar em Defesa do Carvão Mineral e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

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As palestras tinham temáticas voltadas a otimização do uso do carvão, algumas delas dando continuidade a exploração de uma mina em Guaíba, com produção de gás sintético a longo prazo.

O Brasil é um Estado-parte do Acordo de Paris, porém o governo Temer se encontra numa política externa bipolar, por vezes alinhado à política estadunidense. O que se percebe são ações de um governo neoliberal, alinhando-se à propostas de otimizar a exploração de carvão ao invés de mitigá-la ou abandoná-la. #Política Internacional #Back-to-Basics #Mudança do Clima