O antropólogo Roberto da Matta em seu texto, facilmente encontrado na internet, ‘Você tem cultura?’, publicado originalmente no Jornal da Embratel, no Rio de Janeiro, em 1981, explica as várias possibilidades de entendimento da palavra ‘cultura’.

Para o que é proposto neste artigo, o que nos interessa é o termo usado com o sentido de regras, procedimentos e costumes de determinado grupo social. Sem querer exercer qualquer tipo de preconceito com o grupo analisado.

A polêmica em torno deste gênero musical começa já pelo nome utilizado, pois #Funk originariamente é o nome do estilo norte-americano que tem como ídolo máximo James Brown.

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Tanto é que hoje em dia já existem os termos “real funk” e “traditional funk” para designarem o estilo mais tradicional do gênero musical. E aqui no Brasil é muito comum, principalmente fora do estado do Rio de Janeiro, o uso do termo “funk carioca”.

Lulu Santos e Fernanda Abreu são exemplos de artistas que defendem este gênero musical e o utilizam em algumas de suas composições. Ainda na turma dos defensores do funk, podem ser citados o antropólogo e pesquisador cultural Hermano Vianna e também a atriz e apresentadora Regina Casé. Em janeiro de 2013, a Comissão de Cultura da Câmara do Deputados aprovou projeto (PL 4124/08) reconhecendo o funk como manifestação cultural, sendo que o funk já era considerado patrimônio cultural desde 2009.

O funk carioca é um estilo musical que não carece de que o protejam, mas o interessante é que esta proteção não vem necessariamente de quem realmente vive a cultura do funk, ou seja, os ouvintes deste tipo de #Música e dos artistas do gênero.

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Por parte do publico alvo do funk, é muito raro encontrarmos alguém que se defina como “funkeiro”, ou aceite esta denominação. É como se a pessoa se sentisse ofendida por ser classificada desta maneira. O que não ocorre, por exemplo, com os ouvintes de pagode, que não veem mal nenhum em serem chamados de pagodeiros.

Roqueiros, "bluzeiros", jazzistas, entre outros adeptos de estilos musicais sabem muito bem as origens de seus respectivos gêneros musicais, mas “aqueles que curtem funk”, via de regra, nunca ouviram falar em Afrika Bambaataa ou mesmo “Miami Bass”.

Assim como não é encontrada fidelidade por parte do público ouvinte de funk, ela também não é vista nos artistas do estilo musical. Cantoras, mcs, duplas que ficaram conhecidos por terem suas carreiras iniciadas nos chamados bailes funk, quando atingem o tão almejado sucesso comercial, logo tratam de migrar para um pop comercial e mais aceito por um público maior. Com a honrosa exceção de Mr. Catra.