Uma garota de apenas 12 anos de idade foi vítima de ofensas raciais ao longo de três anos em três escolas diferentes pelas quais passou, na cidade de Belo Horizonte. Ela se encontra em tratamento e tem de tomar remédio contra depressão, devendo manter-se afastada da escola por 30 dias, por ordens médicas.

Segundo a mãe da menina, que é adotada, as provocações começaram quando ela completou 9 anos. Antes, gostava de ir à escola, mesmo sendo uma das poucas alunas negras da instituição. Depois de sofrer bullying em duas escolas, a mãe decidiu matriculá-la em um colégio religioso e, diferentemente do que esperava, as coisas pioraram.

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Excluída dos grupos e sofrendo ofensas racistas por parte dos colegas, a garota ainda ouvia da direção da escola que não estaria entendendo as "brincadeiras". Em novembro de 2016, cansada da perseguição, reagiu à ofensa de uma menina com um tapa e foi ameaçada de suspensão.

Entrando em depressão, ela acabou perdendo as provas finais e as de recuperação, sendo reprovada. Em tratamento e tomando remédios, a garota não quer voltar à escola e, segundo a mãe, recusa-se até mesmo a sair de casa. Ela já está matriculada em outra instituição, para a qual vai quando puder voltar a estudar. A mãe entrou na Justiça devido à reprovação de sua filha, alegando que a mesma não tinha condições de fazer as provas finais por estar sob efeitos de remédios, mas não obteve sucesso e, no momento, tenta entrar com uma ação criminal.

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Contudo, a personalidade dessa jovem, como sabemos, poderá ser afetada por toda a sua vida, em função do #Racismo cometido pelos alunos na forma de #bullying. Para além do comportamento de seus colegas, a omissão das escolas colabora com a manutenção de um sistema discriminatório, em que a violência simbólica contra minorias - e, não raro, física - é permitida. O que acontece, aqui, é o reflexo de uma sociedade que não pune o racismo da forma como deveria, mesmo que ele seja considerado crime pela Constituição Federal.

Basta conversar com uma criança negra para saber que todas sofrem com o racismo na escola, instituição que deveria protegê-las, mas que se pauta em um pensamento eurocêntrico, visível na maneira como a história oficial é narrada. Além do mais, professores não são capacitados para lidar com manifestações de discriminação dentro de sala de aula.

Nos livros didáticos, são poucas as menções a heróis negros do passado e quase não se vê personagens negros nas ilustrações. De acordo com pesquisa realizada em 2015 por Flávia Carolina da Silva, mestranda no curso de Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná, a proporção é de apenas um personagem negro para cada 8 brancos representados em livros didáticos.

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Soma-se à falta de representação uma recusa das próprias instituições - e dos brasileiros em geral - em reconhecer seu racismo, mesmo aquele exercido de forma inconsciente. Em vez de assumirem sua responsabilidade como parte do problema, preferem apontar para um suposto vitimismo dos movimentos negros, o que contribui para a manutenção de uma sociedade pautada em ideologias originalmente discriminatórias. #Preconceito