É possível notar hoje um uso cada vez mais intensificado de mídias sociais. No caso do Brasil, o país é responsável por 10% de todo o uso diário de internet no mundo, ficando atrás apenas dos EUA. São evidentes os aspectos positivos gerados a partir dessa enorme conectividade, porém, é possível dizer que, em muitos casos, as mídias sociais podem atuar como um instrumento de constrangimento da liberdade e da possibilidade de experimentação de si.

A teoria dos papéis

Cada sujeito desenvolve ao longo da vida a capacidade de desempenhar variados papéis sociais de acordo com o contexto em que está inserido. Há um série de padrões comportamentais que são desenvolvidos para cada situação social que nos encontramos.

Publicidade
Publicidade

Por exemplo, o modo como uma pessoa se comporta diante de uma reunião de família pode ser muito diferente do comportamento que é apresentado no ambiente profissional, que pode diferir também de momentos de lazer com amigos.

Permitir-se desempenhar diferentes papéis e manter entre eles certo distanciamento é uma prática comum no tecido social. Não temos a necessidade de integrar todas as experiências psíquicas em uma só personalidade. Cultivar um certo nível de fragmentação da personalidade em diferentes papéis que exercemos em nossas vidas é algo saudável. De modo que, há características de si que devem ser evidenciadas em determinadas situações e preservadas em outras.

Esse jogo de adaptação e de representação situacional não é meramente por uma questão moral e de manutenção do status quo, mas sim, para que aquilo que é tornado visível tenha mais chances de gerar interações positivas.

Publicidade

Enquanto que a mera expressão de certos enunciados para uma comunidade disforme pode aniquilar a potencialidade que essa mesma ação teria num contexto adequado.

O impacto nas redes sociais

Ao mesmo tempo em que as #Redes Sociais abrem a possibilidade de criação de personagens que expandem ou potencializam as experiências de si, ela também pode se tornar um modo de enclausuramento do eu em uma única e total maneira de ser, homogeneizada e achatada. De tal modo que aquilo que é manifestado na Internet o é para toda a extensão dos papéis sociais, gerando assim uma identidade que não mais se permite escapar e se diferenciar nos mais diversos contextos, mas uma identidade empobrecida que é reconhecida e constituída nos contornos limitados do ciberespaço. #psicologia #ciberespaço