Nesta segunda-feira (26), o juiz Sergio Moro condenou o ex-ministro Antonio #Palocci a 12 anos de prisão pelo crime de corrupção passiva durante os governos do PT. Como esperado, está negociação um acordo de "colaboração" entre o condenado e a Polícia Federal.

Porém, o conteúdo desta #Delação poderá ter forte impacto no mercado financeiro. Afinal, como já veiculado por diversos meios, existem indícios da participação de executivos de instituições financeiras nas operações ilegais executadas pelo condenado.

Alvo de outras investigações, Palocci terá, entre outras "tarefas" de sua defesa, o objetivo de comprovar que o codinome "Italiano" emergido das delações da empreiteira Odebrecht não está relacionado com sua pessoa.

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De acordo com a grande mídia, o ex-ministro trabalhará a tese de que o codinome supracitado faz referência ao ex-ministro da Fazenda (e outras casas) nos governos Lula e Dilma, Guido Mantega.

Além desta preocupação, é demonstrado também um cuidado ímpar relativo à exposição das instituições bancárias envolvidas nas delações de Palocci, de acordo com a colunista Monica Bergamo do jornal "Folha de S. Paulo". Tanto o condenado quanto a Polícia Federal trabalham com a possibilidade de apresentar os termos da delação aos bancos antes de sua divulgação à imprensa e sociedade. Desta forma, seria possível que o problema fosse "resolvido" antes mesmo de ser apresentado.

Ainda de acordo com a colunista, esta estratégia visa dissociar a imagem das instituições dos representantes que as executaram e dessa forma preservar a imagem moral e ética das mesmas.

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Obviamente, os acordos de delação apresentam-se como excelentes ferramentas alternativas para a solução e obtenção de provas criminais em determinados inquéritos, mas, o que tem-se observado atualmente é um grande mercado no qual o conhecimento dos aspectos técnicos de um crime não podem ser a moeda de troca ou a cirurgia plástica que transforma o bandido em mocinho. O que nos leva a "repensar" a velha máxima de que o crime não compensa.

Começamos com os denominados por Claudio Tognolli em entrevista à rádio Jovem Pan: "pedreiros" da Odebrecht que em alguns casos cumprirão prisão domiciliar de um ano e terão acordos de leniência pagos pela empresa, passamos pelos "frangueiros" da JBS que obtiveram de forma inédita o benefício de não serem presos mesmo após comprovado seu envolvimento em diversas práticas ilícitas. Agora, em meio a este turbilhão de denúncias, condenações e acordos, o sistema financeiro tantas vezes maléfico e injusto, está prestes a conhecer a "solidariedade" da Justiça brasileira.

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Enquanto isso, longe do balcão, desempregado e com muita fome passa o "Zé", um jovem pai de família que está prestes a roubar um saco de arroz, um frango e duas caixas de leite para alimentar sua família. ‘’Zé’’ não é um cara mau, está um homem desesperado que já tentou de todas as formas recolocar-se no mercado de trabalho, mas as empreiteiras não estão contratando.

Afinal, estão elas "quebradas"; o banco não lhe empresta dinheiro, pois, não tem garantias de que terá seu dinheiro devolvido. Logo, ao ‘’Zé’’ cabe apenas esta alternativa.

Então, ele invade o mercado pega sua lista de compra, mas, ao sair do estabelecimento, foi pego pelo segurança de quem levou uma bela surra antes de ser levado à delegacia. Diante do delegado "Zé" explica sua história e assina o boletim.

Porém, seu sobrenome não é ítalo-brasileiro e seu pai era servente, não pedreiro. Os itens furtados pelo criminoso totalizam R$ 30,00 e lhe renderão alguns meses de prisão preventiva, acrescidos de outros aguardando o julgamento e acredite, neste caso, não haverá acordo de colaboração, a vida de "Zé" acabou.

Que justiça é essa? #Política