Recentemente, a personagem #Cuca, do seriado televisivo "Sítio do Picapau Amarelo", baseado na obra literária de Monteiro Lobato, tornou-se um meme e seus vídeos, fotos e animações ganharam fama internacional. Como figura do imaginário brasileiro, ela foi adotada no meio LGBT por seus trejeitos e vestimentas, sendo associada às drag queens.

De fato, internautas brasileiros têm se superado na criação e divulgação de memes [VIDEO] pela internet, a exemplo de quando a Nicki Minaj perguntou quem era a mulher que estava aparecendo em sua timeline nos últimos meses - no caso, a Gretchen [VIDEO].

Por um lado, é motivo de orgulho que o humor brasileiro se destaque dessa forma nas redes sociais, afinal, trata-se de um dos nossos maiores atributos.

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Por outro lado, isso pode levar à #apropriação cultural, fenômeno que, embora seja discutido com frequência na internet, vem sendo questionado por muitos, que não acreditam nem sequer em sua existência.

Perez Hilton, famoso blogueiro americano, lançou uma linha de produtos que trazem justamente a Cuca estampada. Sem saber qual a história da personagem, Hilton prontamente esvaziou a figura da Cuca de sentido e a transformou em mero produto comercial. Com isso, provocou a ira dos brasileiros, que protestaram contra o uso superficial da imagem.

O que Hilton fez foi lançar mão da lógica de mercado para lucrar, apropriando-se de uma personagem em voga nas redes sociais para lançar camisetas, moletons e capas de celular com legendas de cunho sexual, que em nada se relacionam com o que a Cuca representa para o Brasil.

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Se brasileiros a resgatam como figura de humor, o fazem com base na história, sem perder de vista o fato de ela ter sido criada para o público infantil - parte, aliás, da graça de ela ser vista como uma drag queen. Ela está presente em nosso folclore e, consequentemente, em nosso próprio imaginário sócio-cultural. Seu sentido para estrangeiros é, no mínimo, questionável. Dessa forma, a iniciativa de Perez Hilton é um caso clássico de apropriação cultural.

Segundo a revista Veja, a Rede Globo declarou que não foi dada permissão de uso da imagem e que estuda quais as medidas cabíveis contra o blogueiro. O advogado Álvaro Gomes, responsável pelas questões envolvendo direitos autorais da família de Monteiro Lobato também cogita processar Hilton, uma vez que não foi solicitada nenhuma autorização junto aos detentores dos direitos autorais do escritor.

Gomes comentou ainda que, quando o uso de imagem de personagens de Monteiro Lobato são requisitados para difusão da cultura, ele costuma cedê-lo gratuitamente. A reprodução para fins pessoais é permitida por lei, mas configura crime quando o objetivo é comercial. #memes