O que explica a #depressão ter se alastrado tanto nos últimos anos? Quais fatores estão influenciando esta "epidemia" na nossa #Sociedade? Para respondermos estas questões de forma consciente, devemos investigar as mudanças que estão ocorrendo tanto no mundo das coisas como também nas relações humanas.

Vivemos em um tempo onde tudo o que era sólido transforma-se em líquido. A passagem da modernidade para a pós-modernidade trouxe avanços não só no campo tecnológico, mas também mudanças bruscas nos modos de pensar, agir e sentir das pessoas.

Mundo contemporâneo

Como bem definiu o pensador Zygmunt Bauman sobre a sociedade contemporânea como "sociedade líquida", vivemos um momento de transição histórica, onde o que era imóvel, estático e hierárquico, se transforma em móvel, imprevisível e veloz.

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Uma das questões que nós, enquanto cidadãos de uma sociedade enfrentamos diariamente, é a dificuldade em definir valores - não que eles não mais existam, mas são diversos - criando uma dificuldade imensa para definir quais caminhos devemos adotar e seguir.

Exemplos como o casamento, que até pouco tempo era visto como compromisso sagrado, indispensável e até imutável, hoje se torna apenas uma questão de escolha. Valores religiosos, que na modernidade eram vistos como "obrigatório" enquanto somos "filhos de Deus", hoje também se torna uma opção. As condutas morais e éticas se tornaram flexíveis; o mundo mudou, mas a crítica sobre este mundo na cabeça das pessoas ainda não vingou. Uma palavra que poderíamos definir muito bem tal momento é "escolha". Nunca foi tão difícil escolher na sociedade contemporânea.

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A depressão como efeito

A passagem da modernidade para a pós-modernidade trouxe mudanças no campo econômico e político. E a principal evolução que a sociedade presencia neste processo é a passagem da produção de bens para o consumismo. Na modernidade, o foco central do capital era a produção de bens, hoje, o foco central é o consumo. Vivemos uma sociedade que preza o ter e deixa em segundo plano o ser.

Por conseguinte, ser bem visto na contemporaneidade é sinônimo de possuir bens materiais, mas não somente isso, também é importante o nível hierárquico e social onde o indivíduo se encontra, de outro modo, seu status. Nas mídias, em propagandas, telenovelas e nas redes sociais, somos bombardeados de forma brusca para alcançar estes patamares sociais.

Precisamos ter o melhor carro do ano, a melhor casa, a mulher ou o homem "dos sonhos", ter dinheiro, possuir um cargo de trabalho que seja bem visto, entre tantas outras coisas. Somos instigados diariamente à buscar uma vida perfeita, onde a tristeza não possa existir.

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E isto é uma das causas que provoca ideias ilusórias e irreais nos indivíduos. Imaginar uma vida onde não haja tristeza e somente gozo de alegrias é uma visão ingênua e infantil da realidade.

Se não sou perfeito, seria então, um fracassado?

Aqui talvez seja um dos pontos que explica a depressão como uma "epidemia" do século XXI. Com o avanço tecnológico, o homem acaba ficando preguiçoso, muitos serviços que antes eram trabalhosos, hoje as máquinas e a tecnologia fazem por nós. A internet nos trouxe uma expansão de pontos de vistas dos mais variados, mas não trouxe a crítica nas pessoas para filtrarem tais informações. A mudança para a pós-modernidade nos trouxe instabilidade, tanto nas escolhas de trabalho, como nos relacionamentos.

Na modernidade, o sujeito tinha quase que um "manual" pronto para seguir sua vida. Primeiro os estudos - quem tinha condições - depois o casamento, um bom emprego, a casa; um carro; filhos; uma religião e pronto, tínhamos um plano de vida feito para ser seguido. A questão da escolha não era um problema, afinal, aparece como se as pessoas não tivessem essa preocupação.

Nos dias atuais, ao contrário, não existe este manual de vida porque os valores não são sólidos e imutáveis como eram no passado. Praticamente, o sujeito tem de criar a sua vida do zero; se reinventar. E é aqui que entra o problema da escolha. Com tantas condutas distintas para se escolher, qual a melhor?. Não temos mais a segurança e a certeza de uma vida feita.

Com estas múltiplas condutas de vida, uma coisa é certa e nos instigam diariamente a buscar: a perfeição. Não importa qual caminho você escolha, o que importa de fato é a felicidade, e devemos mais do que nunca buscá-la, através do dinheiro, da fama e do poder. É o que nos dizem.

Devemos ser críticos

Para enfrentar o mundo como está posto, devemos antes de tudo estabelecer os nossos próprios valores, investigando primeiramente quais são os nossos gostos pessoais, ou se preferir, chamaremos isto de autoconhecimento.

É só através do autoconhecimento que vamos ter as ferramentas necessárias para enfrentar o mundo pós-moderno. Mas também junto a isto, devemos ser críticos e questionar frequentemente os caminhos e condutas que são apresentados a nós. Devemos entender que o mais importante na vida não é acumular bens materiais e 'status social', mas sermos capazes de colocar para fora quem somos, nos aperfeiçoando como seres humanos, nos desenvolvendo dia após dia. Temos um mundo rico de possibilidades para um futuro melhor, mas sem saber quem somos, e ter definido o que queremos, fica impossível termos uma vida digna.

A depressão como 'mal do século XXI' está justamente neste emaranhado de mudanças; vivemos influenciados pelas massas a buscar uma vida perfeita, nos enfraquecendo diante e perante às frustrações. Quando o "fracasso" aparece, não estamos preparados para lidar com ele. Nos deprimimos facilmente em uma sociedade competitiva que está preocupada estritamente em ter e se mostrar, do que ser e contribuir.

Assim, talvez uma das chaves para lidarmos com a depressão é acima de tudo saber quem somos e o que queremos. #psicologia