A megaoperação desta quinta-feira (29) para prender cerca de 100 policiais militares e 70 traficantes no Estado do Rio de Janeiro é uma evidência da degradação financeira, social e moral que assola uma terra de montanhas e morros paradisíacos, como o Corcovado, que abriga a estátua do Cristo Redentor. O povo fluminense, quem tem o Cristo tão pertinho de si, parece estar muito longe de Deus.

A ação, que foi realizada pela #Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Corregedoria da Polícia Militar cumpriu 184 mandados de #Prisão preventiva. A maioria contra policiais militares que praticavam diversos crimes, como venda e aluguel de armas para traficantes, extorsão e até sequestro de bandidos, que pagariam somas em dinheiro em troca da liberdade.

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Também se apropriavam de #drogas apreendidas com os criminosos, devolvendo o material ilícito ao tráfico mediante acordo financeiro.

A convivência promíscua da polícia fluminense com o crime organizado não é novidade. Remonta a uma época quando os traficantes de drogas não detinham o poder, a violência e a organização dos dias atuais. Muito menos o grau de cooptação dos moradores nas comunidades. Quem mandava e desmandava nos morros eram os contraventores do Jogo do Bicho, históricos patrocinadores dos Carnavais cariocas e aliciadores de policiais que se prestavam, muitas vezes, ao serviço de segurança.

O tráfico de drogas começou a se organizar no final da década de 1970, com a criação da facção criminosa Comando Vermelho, descendente da Falange Vermelha. Teve como embrião presos comuns e políticos encarcerados na Prisão Cândido Mendes, em Ilha Grande.

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Dentre os seus comandantes mais conhecidos, destaques para Fernandinho Beira-mar, Marcinho VP e Elias Maluco. Nos anos 1990 surgiram o Terceiro Comando e a facção Amigos dos Amigos – ADA. Ao longo desse tempo, o tráfico manteve intima relação com a banda podre da polícia.

As milícias, formadas por militares e paramilitares, já existiam na década de 1970, mas eram tímidas e se resumiam à proteção de comerciantes em áreas distintas do Estado. Somente nos anos 2000 é que os grupos de milicianos começaram a competir com os traficantes, tomando áreas antes controladas pelas facções criminosas. Há uma estimativa de que em seu auge, em 2007, as milícias controlavam cerca de um terço das mais de 300 favelas cariocas. Assim veio crescendo as relações ilícitas dos maus policiais com traficantes e milicianos.

Chegamos então aos dias de hoje, com o Rio de Janeiro esfacelado pela maior crise financeira de sua história, com a violência fora do controle e a crise moral também instalada no Poder Judiciário e na classe política local.

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Temos um ex-governador preso e acusado de comandar um esquema de corrupção que solapava os cofres públicos com uma voracidade jamais vista antes. Tivemos a prisão daqueles que deveriam fiscalizar as contas públicas: dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, cinco foram para a cadeia por desvio de dinheiro público.

Diante de um quadro tão desolador, não causa surpresa o envolvimento de uma centena de policiais com os malfeitos de agora. Pobre Rio de Janeiro. Tão perto do Cristo e tão longe de Deus.