Aline Lopes, de Pernambuco, é mãe de dois filhos. Embora seja branca e nunca tenha sido vítima pessoal de qualquer situação racista, Aline contou na rede social que passou a sentir o peso do #Racismo e da discriminação quando começou a notar que isso acontecia com seus filhos, ambos negros.

"Uma vez uma professora prendeu o Black (penteado afro caracterizado pelo uso dos cabelos crespos soltos e com volume natural) da minha filha na escola", conta a mãe. "Alguns coleguinhas também já discriminaram os dois", completou Aline.

Mas algo mexeu ainda mais profundamente com a percepção que Aline tinha sobre o racismo. Ao folhear os livros escolares da filha de 3 anos, a mãe encontrou, na publicação ''Natureza e #Sociedade'', da editora ''Formando Cidadãos'', ilustrações que, segundo ela, representam o papel que, infelizmente, a figura do negro ainda ocupa em nossa sociedade.

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''O livro contém desenhos perpetuando a figura do negro da pior forma possível'', desabafou Aline. ''O negro como alguém, feio, triste. Não tem a figura de um negro médico ou advogado. Só tem a figura do negro servente, não que haja demérito algum em ser servente, mas este papel sempre cabe ao negro, e acho que as crianças devem compreender desde cedo que o negro pode ocupar qualquer espaço que quiser na sociedade''.

Leia a postagem de Aline no Facebook:

As ilustrações as quais Aline se refere também foram postadas pela mãe no Facebook, e agora circulam também em outras redes sociais, tais como o Twitter. Na primeira, a profissão de faxineiro está relacionada ao único personagem negro ilustrado na atividade.

Na segunda, o exercício pede que a criança assinale o lar onde as pessoas parecem felizes; uma família branca e outra negra dividem a página, onde claramente as pessoas brancas são representadas de forma alegre, e as pessoas negras de forma triste.

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A postagem de Aline acabou viralizando nas redes sociais. Alguns internautas prestaram solidariedade e apoio ao desabafo da mãe pernambucana. Outros, porém, acusaram Aline de estar sendo ela mesma racista, questionando sobre ''o que teria de errado'' ou de racista na publicação.

Editora se defende

Por telefone, a editora negou que houvesse qualquer conteúdo racista na publicação, e que esta seria uma ''questão interpretativa''. Paulo André, um dos responsáveis pela administração da editora, cuja matriz fica na zona oeste do Recife, informou que este material didático já está no mercado há cerca de 4 anos, e que nunca antes a editora havia recebido denúncias.

''Este é um livro de 112 páginas, que faz parte de uma coleção de livros que juntos totalizam mais de 1000 páginas, e esta mãe se apegou a apenas uma página do livro'', rebateu Paulo André.

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''Muitos clientes nossos ligaram afirmando que não concordam com a opinião dela. Estamos verificando com a responsável pela denúncia o que a motivou a fazer a postagem sem antes falar com a editora a respeito.'' #Brasil