Todos dizem gostar de dinheiro, mas quase todos agem como se o detestassem. Investem o que tem em empreendimentos cuja chance de perder é astronomicamente superior à chance de vencer, seja em jogos de aposta ou azar, não importa. Você, com certeza, deve conhecer alguém que joga com assaz frequência na loteria - talvez você mesmo seja essa pessoa. Com certeza deve saber que algo o motiva para agir dessa forma.

Apostar dinheiro é uma conduta comum e bastante conhecida. Porém, mal explicada. Por quê? Porque dizem que tais pessoas sofrem do #vício do jogo que as levam a perder o que tem. “Maldito vício”, dizem elas. Mas, não diria que elas sofrem de suposto vício, por mais aparentemente óbvio que pareça.

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Diria eu apenas uma coisa. De fato, elas sofrem de um vício, estranho demais, talvez o mais inexplicável de todos: o vício de perder.

Sim, existe o vício de perder e nesse caso, especificamente, o vício de perder dinheiro. Quem jogaria em jogos de loteria caso não houvesse um valor envolvido? Sem nada valer, provavelmente ninguém jogaria. Apesar disso, insistem em dizer que só ganha quem aposta. Na prática, só deixa de perder quem não joga, o que equivale a dizer que só perde quem joga.

Conforme noticiado este ano no portal G1, país fechou 2016 com 58,3 milhões de brasileiros inadimplentes. Outra matéria também do portal G1 noticiada este ano informa que 65% dos brasileiros não possuem reserva financeira. Ou seja, são milhões de pessoas endividadas e sem poupança que apostam o pouco que tem em algo que as deixam ainda mais pobres e endividadas.

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Isso é querer ganhar ou queimar dinheiro?

Dirão alguns que, se jogam, é porque desejam ganhar. Aparentemente sim. Porém, quem deseja de verdade ganhar algo, não investiria seu dinheiro numa empresa que gera prejuízo, mas numa empresa que gera lucro. Quer dizer, como um investidor poderia esperar ganhar dinheiro comprando ações de uma empresa cuja probabilidade de gerar prejuízo é de 99,9%? Além de assumir o risco de perder, isso é assumir propriamente a derrota. E mesmo os poucos que parecem ganhar, em quase todos os casos reinvestem tudo que ganharam no mesmo jogo e tão logo tudo perdem.

O mesmo dinheiro que gera perdas nos jogos de azar ou de apostas é o mesmo que poderia gerar lucros no mercado de ações, cujo ano de 2016 teve excelente rentabilidade. Também, em 2016, o Brasil fechou com o melhor resultado em sete anos.

Por fim, dizem que o vício do jogo é tão maldito que levam algumas pessoas que possuíam grandes riquezas a perder tudo a ponto de pôr fim à própria vida quando nada mais tem a apostar. Não se enganem, pois ele não matou a si mesmo porque tudo perdeu. Ele se matou porque, uma vez tendo tudo perdido, nada mais pode perder. Sendo seu vício a derrota e não encontrando mais meios de satisfazê-lo, nada há a ser feito, senão perder o último bem que lhe restou, a saber, a própria vida.